
A Placa Palatina de Memória (PPM) é uma placa acrílica de resina inserida na cavidade bucal, para auxiliar bebês, como parte da terapia orofacial realizada pela fonoaudiologia e desenvolvida para reorganizar as funções orais de forma mais precoce. Por isso, o papel da Odontopediatria, como afirmam Dra. Marcia Louvain e Dra. Juliana Petrucci, é analisar e indicar o modelo ideal para a necessidade individual de cada criança em um trabalho transdisciplinar.
A intervenção, segundo elas, pode iniciar aos 3 meses de vida ou nos primeiros meses, período ideal para maior desenvolvimento do sistema nervoso central e das funções do sistema estomatognático. Fase de maior neuroplasticidade, em que o cérebro aprende, organiza e consolida padrões funcionais mais eficientes.

Já a indicação normalmente ocorre para bebês com T21 (Trissomia do 21), mas pode ser utilizada em crianças que apresentam alterações estruturais e funcionais nos primeiros meses de vida, como protrusão lingual (língua para fora com frequência), postura baixa de língua (sem elevação), hipotonia perioral, vedamento labial insatisfatório, respiração bucal. Não é um estímulo momentâneo, a PPM representa uma memória funcional com a criação de novos padrões motores, o que necessita do trabalho da fonoaudiologia para obtenção de resultados satisfatórios.
“Também é muito importante abordar que a PPM não está indicada para todas as crianças, o que irá depender da musculatura perioral da criança, as vias aéreas superiores sem obstruções físicas, idade em que o planejamento será realizado, núcleo familiar e as terapias constantes com a fonoaudiologia, para reorganização das funções orais do bebê”, destacam as especialistas, apontando outras dúvidas comuns sobre o tema. Confira!
Como é o momento inicial das famílias que procuram o tratamento?
“Quando as famílias nos procuram, temos o cuidado do acolhimento com uma anamnese e exame clínico criteriosos e, às vezes, mais de uma consulta para indicar o tratamento, entendendo a história funcional do bebê, sempre em conjunto com a fonoaudióloga e outras terapias necessárias”.
Como é a adaptação da criança com a PPM?
“Inicialmente, o bebê fica com a PPM por pouco tempo e vai aumentando a disponibilidade de colocação e adaptação. Após a utilização da PPM, o sistema nervoso vai se adaptando ao novo estímulo sensorial e retorna sua posição anterior. A continuidade de uso faz parte do processo em que o sistema neuromotor está aprendendo a reorganizar suas funções. Por isso é importante entender a indicação e a criança que está sendo beneficiada pela PPM. O uso constante da PPM, estimulação adequada e com equipe profissional faz o novo padrão muscular e neural se estabilizar. Por isso a parceria entre a fonoaudiologia e odontologia é tão importante para a efetividade do tratamento. Intervir sem critério é um erro, pois existem bebês com bom padrão funcional”.
Como a PPM pode beneficiar a criança?
“Favorece a postura correta de língua, o selamento labial, melhora o tônus muscular e auxilia na respiração nasal e no crescimento/desenvolvimento crânio facial”.
