
Saiba como a doença impacta a fertilidade e quais sintomas não devem ser ignorados
Diga a verdade, mulher: quantas vezes uma cólica menstrual veio muito mais intensa do que você havia sentido antes? Também já aconteceu de ter um episódio de dor durante a relação sexual e ela se repetir em outras ocasiões? Pois é. Às vezes o que parece inofensivo pode esconder uma realidade mais séria do que se imagina. Afinal, em muitos casos, dores intensas podem ser sinais da endometriose, fazendo com que inúmeras mulheres convivam com a doença sem saber, trazendo prejuízos à saúde ao longo do tempo e, em algumas situações, interferindo até mesmo na infertilidade.
Quem nos fala sobre o assunto é a médica ginecologista e obstetra Dra. Rachel Tavares, que alerta para a necessidade de não normalizar sintomas que fogem do habitual. “Desde que a menina começa a menstruar, é normal sentir um pouco de cólica. Algumas mulheres são mais sensíveis à dor durante a menstruação, enquanto outras não sentem nada. Mas quando a dor acontece de forma intensa e vai aumentando com o passar dos anos, a ponto de impedir de trabalhar e às vezes até exigir medicação venosa, ela precisa ser investigada. O mesmo vale para dor na relação sexual. Muitas mulheres, porém, acabam normalizando esses sintomas. Quando tentam engravidar, acabam descobrindo a endometriose, o que explica o diagnóstico tardio da doença”, comentou.
A endometriose, como explica Dra. Rachel, é uma doença inflamatória, que provoca alterações significativas na pelve. O processo inflamatório acaba gerando fibrose e aderência entre os órgãos pélvicos, modificando a anatomia do útero, dos ovários e das trompas, que podem sofrer alterações importantes. “A endometriose, em alguns casos, pode obstruir as trompas, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide. Além disso, o processo inflamatório pode reduzir a qualidade e a quantidade dos óvulos, bem como dificultar a implantação do embrião no útero, que também sofre uma inflamação. A doença ainda pode ocasionar dor pélvica, sangramento transvaginal intenso e dor na relação sexual, fazendo com que, muitas vezes, a mulher evite ter relações no período fértil. Daí a importância de não ignorar cólicas intensas, dor pélvica ou fluxo menstrual muito forte. Isso precisa de investigação”.
Tentando engravidar com endometriose
A infertilidade, muitas vezes, costuma ser associada à endometriose. Porém nem toda paciente com endometriose é infértil. “Ter endometriose não significa necessariamente ter dificuldade para engravidar. A mulher que tem a doença e deseja ser mãe pode tentar engravidar naturalmente por um período de seis meses. Caso não consiga, deve procurar um profissional. Mas é importante que seja alguém especializado em infertilidade, porque às vezes a paciente recorre a profissionais sem especialização e isso retarda o devido tratamento”, diz Dra. Rachel.
Outro ponto importante diz respeito ao anticoncepcional. “Há situações em que a paciente usa o anticoncepcional no tratamento clínico da endometriose, mas suspende a medicação. Com isso, passa a sentir muita cólica, a ponto de atrapalhar a rotina. Essa paciente não precisa esperar os seis meses. O ideal é que ela procure o especialista o quanto antes, a fim de avaliar o quadro e orientar a melhor forma de conduzir a tentativa de gravidez”.
