É fato: o uso excessivo das redes sociais tem ligação direta com a saúde mental de milhões de adolescentes e jovens brasileiros. Consequências negativas como ansiedade, depressão, baixa autoestima, distorção da autoimagem e isolamento social podem surgir entre os consumidores do conteúdo digital. Um estudo de 2024, intitulado Panorama da Saúde Mental, sobre os fatores que influenciam o bem-estar psicológico da população brasileira, apontou que 45% dos casos de ansiedade estão relacionados ao uso dessas plataformas. Além disso, os jovens que passam mais de 3 horas por dia em plataformas digitais têm um risco 30% maior de apresentar quadros de depressão.
“A exibição de momentos perfeitos e conquistas contribui para a distorção da realidade”, afirma a psicóloga Noísa Rangel. “Para muitos jovens, a percepção de sucesso e felicidade alheios cria uma pressão para alcançar padrões muitas vezes inatingíveis. O conteúdo das redes sociais é de uma vida perfeita, riqueza, fama, viagens, corpos saudáveis, procedimentos estéticos, relacionamentos bem-sucedidos, ascensão acadêmica e profissional, performances, sucesso. Acredita-se que a grama do vizinho é mais verde. A comparação leva à insatisfação do eu com a vida (afinal, tudo de bom acontece apenas com os outros), frustração, decepção com a vida que leva. Outro aspecto significativo é a influência na autoestima e autoimagem. A autoestima é afetada pelo número de curtidas e comentários que recebem em suas postagens. Adolescentes ainda estão em fase de formação de identidade e são mais suscetíveis a julgamentos e críticas. A autoestima sofre um abalo considerável quando eles recebem feedback negativo”.
O cyberbullying, inclusive, é outra questão que também afeta o comportamento e o desempenho acadêmico dos jovens. “As vítimas de bullying virtual apresentam aumento de 35% nos casos de retração social e dificuldades de interação, o que pode levar ao isolamento. O vídeo do youtuber Felca alertou para a necessidade da supervisão dos pais nas redes sociais. Ele mostrou que fotos e vídeos de crianças e adolescentes na internet podem atrair pedófilos. Existe um público interessado em certos vídeos para haver troca de pornografia infantil. Não se sabe quem está do outro lado vendo as postagens. Nem todo mundo tem boas intenções. O mundo virtual é muito perigoso, porque se está exposto a tudo. O acesso é fácil a todo tipo de conteúdo: pornografia, pedofilia, automutilação, drogas. Facilmente se aprende a como se mutilar, como fazer danças sensuais, como perder peso até ficar anoréxica, como usar drogas, manusear armas, entre outros. Esses jovens correm risco de se tornarem adultos extremamente fragilizados, sem habilidades de se socializar, buscando se conectar com o outro através de materialidade e sexualidade, buscando aprovação”, alerta Noísa.
Quanto menor a idade, aliás, maior a necessidade de supervisão, como finaliza a psicóloga. “Os pais devem controlar o tempo na internet. Na faixa etária dos 5 aos 12 anos, no máximo 2 horas por dia.
Adolescentes, 3 horas por dia, todos com supervisão. O jovem está exposto, vulnerável, sem proteção de um adulto. Estão sem um guia protetor, eles precisam de limites, de ajuda. Daí a importância da participação dos responsáveis. É preciso buscar ajuda de familiares, de amigos e de um profissional. É muito sério o que os jovens estão vivendo, sofrendo muitas vezes calados e sem apoio”.
