Andréa Muniz

Publisher, empresária da comunicação, jornalista, engenheira de produção. Com experiência de 25 anos à frente do Mania de Saúde.
Andréa Muniz

Pais despreparados, filhos conectados: e agora?

Pais despreparados, filhos conectados: e agora?A nova lei expõe a fragilidade da supervisão digital e coloca os pais no centro da responsabilidade

Para quem ainda não sabe, Roblox é uma plataforma global onde os próprios usuários criam e jogam milhões de experiências uns dos outros. Funciona como um verdadeiro metaverso — e é justamente isso que o torna muito mais do que um simples jogo. Existe ali uma economia própria, milhões de usuários ativos e um público que vai de crianças a adultos. É nesse ponto que a conversa muda de tom.

Pais despreparados, filhos conectados: e agora?Em agosto de 2025, o youtuber Felca publicou um vídeo-denúncia sobre adultização infantil que ultrapassou 40 milhões de visualizações. No conteúdo, ele expôs situações graves envolvendo exploração e sexualização de crianças, além da existência de redes de predadores atuando em ambientes digitais. O impacto foi imediato. As autoridades agiram em tempo recorde e, em 17 de setembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.211/2025, conhecida como Lei Felca ou Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

O objetivo é claro: proteger crianças e adolescentes contra a adultização precoce e os riscos das redes sociais. A lei entra em vigor em março de 2026, após aprovação do Congresso em setembro de 2025, impulsionada diretamente pelas denúncias. Com a nova legislação, o Roblox passou a adotar medidas adicionais de segurança, como a restrição do chat por voz para menores de 13 anos e a exigência de verificação facial. Embora o youtuber não tenha influência direta sobre as mudanças implementadas pela plataforma, o episódio gerou uma reação inesperada: crianças e adolescentes organizaram protestos dentro do próprio jogo, com manifestações virtuais contra Felca, incluindo cartazes, ataques e até ameaças de morte.

E o que muda para os pais?

Muda tudo.

A nova lei estabelece a responsabilidade direta dos pais e responsáveis sobre o que menores de 16 anos fazem, dizem, assistem, curtem e, principalmente, escrevem no ambiente virtual. Em casos de bullying ou outros crimes cibernéticos cometidos por esses jovens, os responsáveis legais podem ser responsabilizados criminalmente.

Isso tem gerado desconforto — e medo. Muitos pais têm pouca habilidade digital, acumulam compromissos e responsabilidades e percebem que seus filhos estão anos-luz à frente nesse universo cibernético. E, ainda assim, precisam dar conta de supervisionar.

Como assim?

Pois é. Mesmo sem saber exatamente como, você, eu e qualquer pessoa responsável por um jovem menor de 16 anos terá que aprender. Não há alternativa.

Após ouvir alguns especialistas e conversar com mães que foram pegas de surpresa pela notícia, a pergunta que fica é direta e incômoda:

Quem está educando as nossas crianças?

Sabe quando a gente ouve algo, mas não se dá conta da gravidade num primeiro momento? Foi assim.

Ao analisar mais profundamente, percebi que muitos pais — talvez a maioria — não sabem como funcionam plataformas como Roblox, Discord, TikTok e outras redes. Como, então, irão “supervisionar” seus filhos? E, se a situação é essa, como esses jovens chegaram até lá sem mediação?

A discussão está apenas começando. À medida que os monitoramentos avançam e novas descobertas surgem, outros temas inevitavelmente virão à tona.

Pais e responsáveis precisam conversar mais entre si, trocar experiências, dividir dúvidas e construir caminhos coletivos.

O espaço acabou, mas o debate não. Dúvidas e sugestões de temas para a nossa coluna podem ser enviadas para

matriz@maniadesaude.com.br, aos meus cuidados.