Seu filho tem medo da CLT?

Seu filho tem medo da CLT?Novas gerações fazem escolas repensarem o ensino diante de um mercado que vai além do emprego formal

Houve um tempo em que as crianças desejavam ser astronautas, bombeiros, juízes, entre outras profissões sempre presentes nas brincadeiras do dia a dia. Mas isso parece estar ficando para trás. O que se vê hoje é um público infantil com um domínio cada vez maior de informações sobre o mundo à sua volta e, não raro, querendo empreender desde cedo.

Uma pesquisa feita nos EUA, por exemplo, revelou que crianças da Geração Alfa (nascidas entre 2010 e 2024) estão mais atentas às notícias do que os adultos imaginam, demonstrando preocupação com o futuro. De 700 crianças ouvidas, de 8 a 14 anos, 40% se informavam com frequência, seja por vídeos ou redes sociais. Outro levantamento mostrou que 41% já estão economizando para objetivos de longo prazo, como faculdade ou casa própria.

No Brasil, a tendência não é muito diferente. Com o avanço das redes sociais, diversos jovens passaram a ser criadores de conteúdo, lidando desde cedo com monetizações, interação com o público e até campanhas de marketing digital. Porém não é só diante das câmeras que eles buscam se destacar. Afinal, o digital não é apenas um palco, mas um novo mercado, que tem aberto os olhos de muitos adolescentes para o empreendedorismo, fazendo com que relativizem antigas funções com carteira assinada.

Seu filho tem medo da CLT?Recentemente, por exemplo, a repórter Camila Corsini, do portal UOL, demonstrou como as novas gerações estão colocando em xeque o modelo de emprego regido pela CLT. Ela lembrou o caso da influenciadora Fabiana Sobrinho, que viralizou no TikTok ao expor conversas com a filha de 12 anos, que dizia não querer “andar de ônibus todo dia” nem ter chefe mandando nela a todo o momento. O caso, sem dúvidas, viralizou por refletir o espírito do nosso tempo, em que muitos jovens dão mais valor à autonomia e propósito no trabalho, optando por carreiras que lhes ofereçam mais controle sobre seu tempo e suas escolhas profissionais.

Diante desse fenômeno, a educação de hoje adquire um papel ainda mais estratégico, já que as escolas precisam se adaptar e preparar os jovens para um mercado em constante transformação. “O emprego formal já não é a única referência para essa geração”, afirma Bruno Paes Guimarães, diretor do Colégio Bittencourt. “Nosso papel como educadores, portanto, é preparar o aluno para diferentes cenários profissionais, desenvolvendo autonomia, pensamento crítico e capacidade de adaptação a um mercado que muda o tempo todo”, disse.
O diretor vive na prática esse desafio. Tanto que o Bittencourt há tempos vem implementando diversas ferramentas para atender às novas demandas do mercado. “Além de trabalharmos soft skills, estimulando habilidades como comunicação, resiliência e cooperação, implementamos projetos voltados para diferentes perfis de aluno. Nosso objetivo é atender tanto o estudante que busca uma carreira tradicional quanto aquele que quer empreender. Para quem sonha em ser médico, por exemplo, temos uma parceria com a Faculdade de Medicina de Campos, na qual o aluno tem aulas na própria instituição e já começa a vivenciar a rotina acadêmica. Já na área de empreendedorismo, desenvolvemos uma série de palestras com profissionais atuantes no mercado, além de fazermos visitas a empresas de diferentes segmentos. Ao compreender os objetivos de cada estudante, a escola consegue oferecer caminhos mais consistentes, beneficiando diretamente seu percurso escolar”, frisa o diretor. “O mais gratificante é que as famílias reconhecem nosso comprometimento com uma formação que ultrapassa o conteúdo em sala de aula, visando preparar o jovem para a vida e para as escolhas que ele fará no futuro”.