Entre algoritmos e empatia, surge um novo perfil de médico

novo perfil de médicoComo a inteligência artificial está transformando a prática médica e a formação profissional

A inteligência artificial (IA) está transformando a rotina de diversas profissões. Com a medicina, não é diferente. Ferramentas baseadas em IA hoje já auxiliam profissionais na interpretação de exames de imagem, na análise de dados clínicos e até na personalização de protocolos de tratamento, além de otimizar a comunicação com os pacientes. Na indústria, recursos de IA também vêm sendo aplicados em diferentes tecnologias voltadas à saúde, incluindo exames de imagem e aparelhos de análise laboratorial.

Todo esse contexto ajuda a entender por que a inteligência artificial tem gerado um amplo debate entre as autoridades de saúde, especialmente no que diz respeito à formação médica. Basta citar que as próprias Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Medicina, atualmente em revisão, pretendem incorporar ainda mais o uso de tecnologias, a fim de preparar melhor os alunos para esse novo mercado. A relatora das DCNs, Elizabeth Guedes, revelou que a proposta inclui ferramentas de inteligência artificial na formação médica, destinando parte da carga horária a essas inovações, que também abrangem áreas como robótica e telemedicina.

A acadêmica Rafaela Carlos do Amaral Braga Mesquita, que hoje cursa o último período de Medicina, revela como o uso da inteligência artificial já impacta a formação dos futuros médicos. “A IA vem ganhando muito espaço nos debates acadêmicos e profissionais da área. Sua aplicação pode sim oferecer benefícios relevantes, como maior precisão em exames, agilidade em processos e apoio à tomada de decisão clínica. Em contrapartida, o uso dessa tecnologia também levanta alguns desafios, como o risco de dependência excessiva, possíveis falhas de interpretação e a necessidade de atualização constante dos profissionais da saúde para acompanhar essas transformações”, disse.

Apesar da importância de toda a comunidade acadêmica se familiarizar com o uso de inteligência artificial, as entidades de saúde continuam enfatizando a humanização no cuidado, algo que Rafaela já demonstra ter incorporado em sua prática clínica. “A experiência como acadêmica tem sido desafiadora e, ao mesmo tempo, enriquecedora. O contato direto com os pacientes, a rotina de estudos e a responsabilidade de lidar com outra vida humana proporcionam aprendizados únicos, tanto na vida pessoal quanto profissional”, conta Rafaela.

Quando perguntada sobre o mercado de trabalho, ela diz que a visão tende a se transformar ao longo do curso, mas sem que isso afete a paixão pela carreira. “Inicialmente, temos uma perspectiva mais idealizada e até mesmo romantizada da profissão, mas, com o tempo, surgem percepções mais realistas sobre as demandas, a competitividade existente no meio e a necessidade constante de atualização profissional. O que eu espero da profissão é sentir que meu trabalho tem propósito, que realmente ajude quem precisa e que me permita crescer não só profissionalmente, mas também como ser humano. Também espero construir uma carreira estável, com oportunidades de desenvolvimento, sem perder de vista a realização pessoal e o carinho pelo que escolhi fazer”.

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