Dia Internacional da Síndrome de Down evidencia histórias que mostram autonomia, conquistas e potencial
Sempre é tempo de promover inclusão, respeito e conhecimento, mas certas datas ajudam a enfatizar pautas importantes que não podem passar despercebidas. No dia 21 de março, por exemplo, celebra-se o Dia Internacional da Síndrome de Down, uma oportunidade de reflexão, apoio, celebração das conquistas e luta pelos direitos ainda não plenamente alcançados pelas pessoas com essa condição genética e suas famílias.
A data oficial foi escolhida pela Down Syndrome International (DSI) no ano de 2006, em consideração ao fato de sua transcrição numérica, 21/03, remeter à triplicação (trissomia) do cromossomo 21, origem da síndrome. Dentre as ações que costumam acontecer no Dia Internacional da Síndrome de Down está a campanha mundial Lots of Socks, cuja proposta convida qualquer pessoa a vestir meias descombinadas, de modo que, quando questionada, possa falar sobre o respeito e acolhimento aos cidadãos com essa trissomia.
Trata-se de um alerta mais do que necessário. Afinal, mesmo com amparo jurídico, muitas ações voltadas à Síndrome de Down acabam não saindo do papel. Conforme um estudo publicado em 2024 pela revista acadêmica FT, no Brasil existem cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down. Contudo, apenas 0,9% das pessoas com deficiência intelectual estão empregadas formalmente no país, segundo dados do IBGE. O cenário não é muito diferente na Educação: atualmente, menos de 80 pessoas com a trissomia estão cursando ou já concluíram o ensino superior, um dado preocupante, já que a síndrome não compromete a capacidade de estudo e tampouco a produtividade.
O desenvolvimento das pessoas com Síndrome de Down, no entanto, está diretamente relacionado aos estímulos e incentivos que recebem, desde que acompanhados por uma equipe multidisciplinar, o que deve começar o quanto antes. Em Campos dos Goytacazes, a APOE – Centro de Assistência Social e Terapêutico Diva Marina Goulart, referência na cidade desde 1964, promove articulações com serviços de saúde, educação, assistência social e órgãos de defesa de direitos por meio de encaminhamentos e acompanhamentos individuais e em grupo.
Atualmente, a instituição atende 84 pessoas com Síndrome de Down. Segundo a presidente, Dra. Pryscila Marins, o maior obstáculo enfrentado por essa população é o capacitismo predominante na sociedade, que subestima sua autonomia e potencial, limitando a participação social, educacional e profissional e, muitas vezes, impondo tratamento infantilizado mesmo na idade adulta.
“A sociedade precisa entender que inclusão não é favor, é obrigação. Todos nós, na verdade, somos diferentes, temos as nossas limitações, as nossas capacidades, assim como qualquer pessoa com deficiência, inclusive as com Síndrome de Down. A trissomia não limita ninguém. O que limita é o pensamento da sociedade, que não dá espaço. Por isso, a gente luta para mudar essa realidade. Eles precisam de oportunidade. Normal é saber conviver com a diferença”, ressaltou Dra. Pryscila.
