Setembro é o mês dedicado à campanha Setembro Amarelo, que busca chamar atenção para um tema delicado, mas urgente: a prevenção ao suicídio e o cuidado com a saúde mental. Mais do que um símbolo, essa campanha representa um convite para escutar, acolher e entender que saúde não é só ausência de doença, mas equilíbrio entre corpo e mente.
Entre os transtornos mais comuns que afetam a saúde mental estão a ansiedade e a depressão. Embora cada um se manifeste de forma diferente, há sinais que merecem atenção, como:
* Tristeza persistente ou sensação de vazio
* Perda de interesse por atividades antes prazerosas
* Alterações no sono e apetite
* Irritabilidade, cansaço frequente ou dificuldade de concentração
* Sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança
Se esses sintomas persistem por mais de duas semanas, é fundamental procurar ajuda. Psicólogos, psiquiatras e médicos de família podem iniciar esse cuidado.
Além do acolhimento emocional e terapêutico, um fator muitas vezes negligenciado no cuidado com a mente é a alimentação.
Você é o que come. E também sente o que come
A ciência já mostra que existe uma conexão direta entre o que comemos e o funcionamento do nosso cérebro. Nutrientes presentes nos alimentos atuam na produção de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e GABA, que estão diretamente ligados ao humor, ao bem-estar e ao controle da ansiedade.
Veja abaixo alguns dos principais nutrientes com impacto direto na saúde mental:
* Triptofano
É um aminoácido essencial que serve como matéria-prima para a produção de serotonina, o “hormônio do bem-estar”. Está presente em alimentos como banana, ovos, grão-de-bico, aveia e queijos magros.
* Magnésio
Ajuda a regular o sistema nervoso, atua no relaxamento muscular e mental, melhora a qualidade do sono e reduz a ansiedade. Fontes: folhas verdes escuras (como espinafre), abacate, castanhas e sementes.
* Vitamina B6, B9 (ácido fólico) e B12
Essenciais na produção e regulação dos neurotransmissores. A deficiência dessas vitaminas pode levar a sintomas de depressão, cansaço e falta de memória. Estão presentes em ovos, fígado, cereais integrais, leguminosas e vegetais verdes.
* Ômega-3 (EPA e DHA)
Possui ação anti-inflamatória no cérebro e está relacionado à prevenção de depressão e melhora do desempenho cognitivo. Encontrado em peixes gordurosos (salmão, sardinha), linhaça, chia e nozes.
* Zinco e Selênio
Minerais com potente ação antioxidante e reguladora do humor. Ajudam na proteção dos neurônios e na modulação de substâncias inflamatórias. Boas fontes incluem castanha-do-pará, carne bovina magra, ovos e frutos do mar.
* Vitamina D
Além do papel no sistema imunológico, a vitamina D influencia diretamente a liberação de serotonina no cérebro. A deficiência está associada a maior risco de depressão. Pode ser obtida por meio da exposição ao sol e, em menor quantidade, em alimentos como gema de ovo, cogumelos e peixes.
Alimentos que ajudam, e os que atrapalham
Incluir na rotina alimentos como folhas verdes, peixes, castanhas, banana, abacate, ovos, grãos integrais e frutas variadas é um passo simples e poderoso para cuidar da mente por meio do prato.
Por outro lado, alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar refinado, gorduras trans, adoçantes artificiais e conservantes estão associados a desequilíbrios inflamatórios e piora do funcionamento cerebral. O excesso desses alimentos pode favorecer alterações no humor, déficit de atenção e até distúrbios do sono.
Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo
Falar sobre saúde mental é um ato de coragem. Buscar ajuda também. E incluir hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, prática de atividade física, sono de qualidade e momentos de autocuidado, pode ser parte essencial na jornada de prevenção e recuperação.
Neste Setembro Amarelo, que tal olhar com mais carinho para você e para quem está ao seu lado?
Seja apoio. Seja presença. E nunca hesite em buscar ajuda. Porque saúde mental importa. Sempre.
