Em mês de Olimpíadas, o Mania de Saúde traz uma entrevista exclusiva com o ex-nadador Fernando Scherer, o Xuxa, dono de duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos – bronze em Atlanta-1996 e bronze em Sidney-2000. O ex-atleta comentou as conquistas que o fizeram ser reconhecido internacionalmente e falou da expectativa sobre a natação brasileira, além de abordar o legado que espera dos Jogos Rio-2016, de como foi parar de nadar e de como é a vida de um ex-atleta. O otimismo de Xuxa é, verdadeiramente, inspirador. Confira.
Mania de Saúde – Em tempos de Olimpíadas, qual é o sentimento de quem participou de três edições do principal evento esportivo do mundo?
Fernando Scherer
– O sonho de todo atleta é disputar uma Olimpíada e vestir o uniforme do Brasil. É um orgulho imenso para cada integrante da seleção nacional. É um sentimento muito forte defender o seu país no maior evento esportivo e tive esse privilégio em três ocasiões (1996, 2000 e 2004), conquistando duas medalhas de bronze. E, quando você se torna um medalhista olímpico, é uma responsabilidade ainda maior manter o nível e os resultados.  
Mania de Saúde – Como avalia o momento da natação brasileira? Em quem você aposta? Quantas medalhas podemos conquistar?
Fernando Scherer
– Atualmente temos mais atletas brasileiros de ponta em diferentes provas. Acredito que o desempenho dos nadadores brasileiros nos Jogos do Rio não deve ser superior a quatro medalhas. Temos boas perspectivas com Bruno Fratus e Thiago Pereira na piscina e com a Ana Marcela na maratona aquática. O Thiago tem o segundo melhor tempo do mundo em 2016 nos 200 metros medley e o Bruno Fratus é o melhor velocista brasileiro no momento, desbancando César Cielo nas eliminatórias olímpicas.
Mania de Saúde – As conquistas em 1996 e 2000 tiveram o mesmo gosto, a mesma sensação?
Fernando Scherer
– Em 1996, nas eliminatórias dos 50 metros livres, houve um empate triplo em sétimo e oitavo com o venezuelano Sanchez e o alemão Ziarsky. Foi difícil controlar o nervosismo, pois qualquer erro poderia aniquilar o meu sonho. Venci o desempate e nadei na raia 1, de onde pulei para o bronze. Por isso aquele meu terceiro lugar foi comemorado como uma vitória. Em 2000, com uma entorse no tornozelo e o rompimento parcial do ligamento, vivi uma angústia imensa por correr o risco de ficar fora dos Jogos de Sydney. Foquei ao máximo na recuperação e, mesmo sem estar plenamente recuperado, ajudei a equipe brasileira a conquistar o bronze no revezamento 4x100 metros livres. Foi uma vitória pessoal imensa para mim.
Mania de Saúde – Essas duas medalhas olímpicas significam o que para você?
Fernando Scherer –
Ser um medalhista olímpico é um grande divisor na vida de qualquer atleta. Vivi esse momento com intensidade em 1996, quando conquistei o primeiro bronze. Mesmo já tendo sido bicampeão mundial em piscina curta, campeão pan-americano e recordista mundial, foi essa medalha nos Jogos de Atlanta que me deu o reconhecimento nacional e internacional. 
Mania de Saúde – Em sua opinião, a Olimpíada no Rio pode melhorar a imagem do Brasil para o mundo ou corremos o risco de um fiasco na realização dos Jogos? Qual será o legado?
Fernando Scherer –
A expectativa é a de que tenhamos uma bela Olimpíada, apesar de todos os contratempos, deixando como principal legado o incentivo para que as crianças que acompanharem o evento sintam-se motivadas a praticar esportes e, quem sabe, tornem-se futuros campeões. Eu prefiro ter essa visão otimista, pois os Jogos Olímpicos têm essa vibração. Mas, falando em resultados de uma forma geral, independente da quantidade de medalhas, todos os atletas brasileiros são vencedores por terem chegado tão longe. E subir ao pódio representará alguns degraus que mudarão para sempre as suas vidas.
Mania de Saúde – Como foi parar de nadar? Tinha planos para a aposentadoria?
Fernando Scherer –
Sempre soube que a minha vida de atleta teria um prazo e que seria essencial investir em projetos já prevendo os rumos após a aposentadoria. Em 2007, quando esse momento chegou, eu já ministrava palestras motivacionais, tinha a academia F. Scherer, em Florianópolis, e a Hammerhead, empresa de artigos de natação inaugurada em 1999. Oito anos depois, já era a segunda no market share nacional do segmento. Atualmente a marca é a maior patrocinadora da natação brasileira entre atletas, eventos, federações e confederações.
Mania de Saúde – Ainda dá suas braçadas na piscina para não “enferrujar”?
Fernando Scherer
– Às vezes, com a correria do dia a dia, falta tempo para me dedicar com mais frequência à atividade esportiva. Ainda dou as minhas braçadas, é claro, mas sem a periodicidade diária. Quando estou em Florianópolis, sempre frequento a academia F. Scherer. Como ex-atleta, a prática da atividade é essencial para a manutenção da saúde. Tenho essa consciência e tento sempre estar na ativa quando a agenda permite. 
Mania de Saúde – Como você, sendo um ex-atleta, lida com a questão da saúde, da alimentação?
Fernando Scherer
– Embora eu não nade mais com a frequência de antigamente, cuido bastante da alimentação. Eu e a Sheila cultivamos hábitos de vida saudáveis e a nossa filha, Brenda, embora com apenas 3 anos, já está aprendendo sobre a qualidade dos alimentos. É importante que os pais sejam os exemplos para os seus filhos e temos essa preocupação com a nossa pequena.
Mania de Saúde – O que vai fazer durante a Olimpíada do Rio de Janeiro e quais os planos para a vida profissional?
Fernando Scherer
– Durante os Jogos Rio-2016 serei um dos comentaristas da Record. Depois continuarei a ministrar palestras pelo Brasil e permanecer ligado à natação por meio da Hammerhead. Agora, como empresário, tenho a oportunidade de apoiar e contribuir para o desenvolvimento de novos talentos na natação brasileira. Afinal, o amor ao esporte é o que move a minha vida há três décadas. E assim será sempre.

Texto produzido em: 19/07/2016