Ninguém passa pela vida sem ficar ansioso de vez em quando. Mas há momentos em que a ansiedade é nociva. Por isso, em determinadas situações, ela é vista como um problema sério de saúde. Afinal, se não for tratada, a ansiedade pode acarretar outros problemas graves, como a depressão ou o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).
Para debater o tema, o Mania de Saúde consultou a psicóloga Bárbara Velloso, que tem formação clínica e hospitalar (PUC-Rio) e é especialista em terapia cognitivo-comportamental. Segundo ela, a ansiedade é, atualmente, a principal demanda de seu consultório. “Hoje recebo um grande número de pacientes com transtornos de ansiedade. O importante é que todas as pessoas, independente de sexo ou idade, estão conscientes da importância de procurar o psicólogo, porque a ansiedade pode abrir caminho para outros problemas que afetam bastante a vida das pessoas”, disse.
A psicóloga explica que, de acordo com o DSM (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) a ansiedade é definida pela antecipação de um futuro perigo ou infortúnio acompanhada de uma sensação de disforia ou de sintomas somáticos de tensão. “As emoções vivenciadas pelo indivíduo decorrem do modo como este interpreta ou avalia os acontecimentos. O significado deles é que desencadeia as emoções – e não os próprios acontecimentos. O modo como estes são interpretados dependerá do contexto em que ocorreram, do estado de ânimo da pessoa no momento em que ocorrem e das experiências anteriores vividas por ela. Os ataques de pânico, por exemplo, muitas vezes são desencadeados pela crença equivocada de que sensações físicas ocasionais, como aperto no peito ou um formigamento no braço, são sintomas de uma doença grave, como um infarto. De fato, pode ser desencadeado um ciclo vicioso em que a manifestação física de ansiedade (náusea, falta de ar, taquicardia) é tomada como confirmação de morte iminente ou colapso, o que desencadeia um nível de ansiedade mais elevado. Novamente, a maneira como o indivíduo interpreta esses sinais internos é que é crucial. Portanto, se mudar o seu pensamento, você pode mudar a sua emoção”, declarou.
É nesse contexto que, segundo Bárbara, a terapia cognitivo-comportamental faz toda a diferença. “De acordo com o fundador da terapia cognitivo-comportamental, Aaron T. Beck, cada indivíduo possui um ‘sistema de crenças’ que vai sendo construído ao longo da vida. Beck descobriu que as pessoas com transtornos de ansiedade tendem a apresentar um sistema de crenças nocivo a respeito de si mesmas, do mundo que as cerca e do futuro. Isso é conhecido como a tríade cognitiva. Por isso, surgem ideias como: ‘preciso estar no controle’, ‘é sempre mais sábio presumir o pior’, ‘problemas podem surgir a qualquer momento, preciso estar preparado’, ‘sou uma pessoa vulnerável’ etc. Nosso papel, como profissional, é fazer uso de técnicas específicas para ajudar o paciente a lidar com a ansiedade e alcançar uma melhor qualidade de vida”.
Informações complementares poderão ser obtidas através do telefone 99948-7458.

Texto produzido em: 20/07/2016