Um número significativo de mulheres já deve ter sofrido algum tipo de sangramento que, ao ser analisado por um ginecologista, aparentava tratar-se de um problema hormonal. Mas, ao se dirigir a um endocrinologista, essa mesma mulher acabava tendo um diagnóstico incompleto, muitas vezes perdendo tempo e ficando sem descobrir de fato o seu problema. O que essa paciente talvez não soubesse é que existe uma especialidade médica capaz de atuar em ambos os segmentos e trazer solução a esses e diversos outros problemas presentes no público feminino. É a chamada ginecologia endócrina. Você já ouviu falar nela?
Para saber mais do assunto, o Mania de Saúde ouviu a médica ginecologista e obstetra Dra. Rachel Tavares, que é especialista em ginecologia endócrina, infertilidade, reprodução humana, gestação de alto risco, ultrassonografia e ultrassonografia 3D/4D. Ela conta como a especialidade vem beneficiando o público feminino em geral.
“A ginecologia endócrina é uma especialidade que avalia os aspectos hormonais da mulher desde a infância até a menopausa, passando por puberdade, vida reprodutiva e climatério, tratando os distúrbios e as alterações que ocorrem ao longo desse processo. Muitas vezes, as mulheres sofrem alguma intercorrência, mas não sabem qual profissional deve procurar e, ao se dirigirem a muitos deles, acabam tendo informações conflitantes, além de uma demora no diagnóstico. Mas o ginecologista endócrino já poderia estar atuando no distúrbio que ela apresenta e assim buscar uma solução mais efetiva”, disse Dra. Rachel.
Ela destaca como a atuação do ginecologista endócrino começa desde cedo na vida da mulher. “Esse cuidado se inicia na infância, durante o processo de desenvolvimento da menina. É quando começam a surgir as mamas, os pelos no corpo e, às vezes, a mãe fica preocupada, sem saber se isso está ocorrendo no momento certo. O ginecologista endócrino vai avaliar se os hormônios estão normais, se o crescimento está adequado e acompanha também essa transição da infância para a puberdade, sobretudo quanto à primeira menstruação”, diz a médica. “Na puberdade, ele vê os ciclos menstruais, verifica se estão regulares, trata problemas como a síndrome dos ovários policísticos, além de distúrbios hormonais como o da tireoide, o aumento da prolactina, bem como casos de acne que não melhoram com medicamento tópico do dermatologista e que podem ter alguma influência hormonal. O ginecologista endócrino vai tratar isso também”. 
Outra etapa importante, segundo Dra. Rachel, é a gravidez. “Quando a paciente deseja engravidar, pode surgir alguma dificuldade devido às alterações hormonais, que precisam ser tratadas para regularizar o eixo hormonal dela. Isso vai permitir que a paciente consiga menstruar de forma adequada, equilibrando os hormônios para favorecer a gravidez. Vale ressaltar que a ginecologia endócrina cuida também dos sangramentos uterinos disfuncionais. Às vezes a paciente tem um sangramento transvaginal irregular, mas não sabe a causa e não quer usar o anticoncepcional. A gente consegue avaliar essa paciente para ver se ela não tem nenhuma causa hormonal associada a essas alterações”, afirma Dra. Rachel. 
Ela ressalta que a atuação do ginecologista endócrino não termina aí. “É importante, também, fazer os exames preventivos, incluindo o rastreio de câncer do colo do útero e a prevenção do câncer de mama. Isso sem falar na parte do climatério, com aquela mulher que já está no final da vida reprodutiva e as menstruações começam a ficar irregulares. Essa paciente, muitas vezes, não sabe se entrou ou não na menopausa e o ginecologista endócrino vai avaliar isso e uma série de outros sintomas associados ao climatério, como ondas de calor, depressão, desânimo, queda de cabelo e perda da libido, verificando a necessidade de reposição hormonal para melhorar a qualidade de vida dela”, frisa Dra. Rachel. “Depois vem a menopausa propriamente dita, em que a mulher parou de menstruar, mas precisa continuar indo ao médico. Isso porque, devido à queda dos hormônios, ela pode continuar tendo uma série de outros sintomas, como o ressecamento vaginal. Às vezes é uma paciente que quer fazer atividade física, tem vida sexual ativa, mas não sabe que pode cuidar desse e de outros sintomas para melhorar a qualidade de vida dela”, acrescentou.
Segundo Dra. Rachel, a ginecologia endócrina verifica, também, a parte óssea da mulher, solicitando exames para avaliar se a paciente não apresenta risco de osteoporose ou de fraturas, evitando problemas a longo prazo. “É importante ressaltar isso porque, em muitas situações, a mulher tem uma qualidade de vida ruim por se sentir mais velha e naturalizar todos esses sintomas. Ela acha normal. Mas é possível fazer um tratamento para beneficiar diretamente a saúde dela e promover a qualidade de vida como um todo”.

Texto produzido em: 22/08/2019