Já faz muito tempo que os gatos entraram no imaginário popular como bichos preferidos de poetas e escritores, convivendo com eles enquanto escreviam suas obras-primas. Muitos desses artistas, inclusive, fizeram ou dedicaram textos aos seus próprios gatinhos, como é o caso do inglês T. S. Eliot e do poeta brasileiro Ferreira Gullar, ambos famosos por exaltarem os animais em diversos de seus livros. Mas a verdade é que, nos últimos anos, os gatos saíram dos livros e entraram de vez na rotina de pessoas das mais variadas idades, demonstrando que não é preciso ser um homem de letras para enxergar esses bichos como seres especiais.
Boa parte do público, inclusive, tem preferido gatos em vez de cachorros, principalmente quem vive em apartamentos, onde os felinos acabam se tornando a companhia ideal para os donos. Nessas horas, contudo, é importante que as pessoas se informem mais sobre a rotina dos gatos, pois há uma série de questões que muitas vezes passam despercebidas até por criadores experientes, mas que interferem na saúde do animal.
É o que afirma, ao Mania de Saúde, a médica veterinária Dra. Lina Goulart, da Procamp. “Hoje em dia, é muito comum as pessoas terem gatos em casas e apartamentos, mas, eventualmente, podem acabar se comportando de maneira inadequada, sobretudo aqueles que estão cuidando do animal pela primeira vez. Isso porque o gato é muito independente. Se você colocar água, ração, caixinha de areia e uma cama, pode passar o dia inteiro fora que ele vai se virar. Essa independência do gato é que desperta o interesse das pessoas. Mas é preciso tomar algumas precauções porque, apesar de ele ser independente, o gato precisa de cuidados específicos para preservar a sua saúde”, diz Dra. Lina. “Isso vai desde a montagem do ambiente até o manejo dos alimentos e a vacinação”.
Dra. Lina, que tem pós-graduação em felinos, explica como proceder. “Quando chega um filhotinho, é importante deixar tudo organizado e sinalizar o que ele pode e o que não pode. Se você mora em apartamento, é necessário instalar uma rede de proteção, como faria se fosse uma criança pequena, porque o gato não tem muita noção de espaço. Se passar uma borboleta ou um passarinho, ele vai tentar pegar e pode acabar despencando. Por isso é bom prevenir”, conta a veterinária. “É essencial, também, garantir bastante oferta de água, ainda mais agora, no inverno, onde as pessoas acham que o gato bebe menos água devido ao clima. Mas a verdade é que ele precisa beber bastante líquido, porque a constituição física do gato tem algumas peculiaridades. As alças renais deles são como se fosse uma serpentina muito grande. Então, demora bastante para fazer a absorção, além de concentrar mais. Por isso a urina do gato é tão fedida. Ou seja: ele já tem uma predisposição a ter problema renal e, se você não cuidar, pode colocar a saúde dele em risco”, explicou.
É por isso que, segundo Dra. Lina, os gatos devem ingerir comida mais úmida, como patês ou sachês, cuja composição favorece o organismo. “Há pouco tempo, estive em um curso de nutrição com um especialista, onde ele media a ingestão diária dos gatos e, depois, complementava o que estava faltando com sopinha ou patê com água morna. Isso mostra que é importante ter ciência da rotina alimentar do seu gato. A ração, por exemplo, não pode ficar rolando o dia inteiro, até porque atrai formiga, barata e até rato para o ambiente. O ideal é ver a quantidade que o seu gato se alimenta ao longo do dia e colocar a ração nos horários certos”, informa Dra. Lina, lembrando que o mercado oferece uma série de produtos, com os mais variados sabores e composições, justamente para garantir a nutrição adequada dos bichinhos.