Muita gente acredita que a cirurgia bariátrica, por si só, é capaz de curar a obesidade. Basta fazer a redução do estômago para ficar magro de uma vez por todas, não é mesmo? Ledo engano. Se há algo que preocupa a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos dias de hoje, é fazer as pessoas entenderem que a obesidade é uma doença a ser tratada pela vida inteira. Se não controlada, pode levar à morte.
Para abordar o assunto, o Mania de Saúde entrevistou Dr. Carlos Gicovate Neto, médico especialista em cirurgias do aparelho digestivo, cirurgia bariátrica e cirurgia videolaparoscópica. Ele, que já realizou mais de 1.400 bariátricas em Campos, explica como o tratamento da obesidade deve ser encarado pelos pacientes. “A obesidade é uma doença incurável e multifatorial. Ninguém é obeso apenas por comer muito. Existe todo um fator social, psicológico e genético envolvido. Isso explica por que algumas pessoas são magras, comem muito, mas não engordam, enquanto outras rapidamente ficam acima do peso. O motivo é simples: cada corpo trabalha de uma maneira distinta com a energia dos alimentos. É como um veículo 1.0 e um carro de Fórmula 1. Os dois podem fazer o mesmo percurso, na mesma velocidade, mas um consumirá muito mais combustível do que o outro. Por isso o controle do peso não envolve apenas a cirurgia bariátrica, mas toda uma alteração do estilo de vida. Afinal, a genética não muda. Se a pessoa é programada para engordar, ela vai engordar pelo resto da vida. Porém é possível bloquear essa programação. A cirurgia bariátrica faz parte do bloqueio. Mas ela é só o início do processo. A cirurgia bariátrica ajuda com 10%. Os outros 90% depende do paciente”, complementou.
Segundo Dr. Carlos Gicovate Neto, a cirurgia bariátrica não resolve todos os problemas do paciente, nem provoca milagres. “Ela não é uma máquina onde o paciente entra gordo e sai magro. O foco não é a perda súbita de peso, mas a manutenção dessa perda. Por isso o segundo passo do tratamento é a reeducação alimentar, a prática adequada de exercícios físicos e o acompanhamento multidisciplinar. No meu caso, faço reuniões mensais com os pacientes e eles participam de conversas com psicólogo, nutricionista, educadores físicos, entre outros profissionais. São esses pacientes que obtém os melhores resultados, pois estão cumprindo todas as etapas do tratamento. Meu objetivo não é apenas operar. Seria muito fácil fazer a cirurgia e achar que cumpri a minha função. Mas esse não é o meu papel. Meu objetivo é dar resultado a longo prazo. Quero que o paciente emagreça e continue magro, tendo saúde, qualidade de vida e felicidade”, afirmou o médico.
Para quem tem dúvidas quanto à cirurgia em si, Dr. Carlos Gicovate Neto esclarece alguns pontos importantes sobre a operação. “Muitos perguntam sobre o tipo de anestesia utilizada, como é feita a intervenção e, sobretudo, quando poderão voltar ao trabalho. Mas a cirurgia bariátrica laparoscópica facilita muito, porque não envolve cortes. Ela é feita por meio de furos e utilizamos uma câmera, o que aumenta o sucesso da cirurgia e, consequentemente, reduz o tempo de recuperação do paciente”, explica Dr. Carlos, que também é bastante solicitado para cirurgia laparoscópica de vesícula e hérnia, além de várias outras cirurgias envolvendo estômago, pâncreas e intestino.
Ele, que é professor de cirurgia da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e Membro da Federação Internacional de Estudos Sobre a Obesidade, está iniciando um mestrado esse ano, na área médica, com objetivo de aprimorar a parte acadêmica, o que fortalecerá ainda mais o seu know-how como cirurgião. “Costumo dizer que é uma satisfação enorme ver que Campos não deve em nada à medicina praticada nos grandes centros urbanos. Nosso papel é oferecer, aos nossos pacientes, o que há de mais avançado e o tratamento mais correto possível. Nos últimos anos, ficaram muito evidentes os benefícios da cirurgia bariátrica não só no que diz respeito à perda de peso, mas também ao controle de diabetes, provando que ela é o melhor tratamento disponível para a obesidade. A cirurgia não deve ser feita em todos os pacientes, mas, quando ela é bem indicada, nada a supera na perda de peso, na manutenção dessa perda de peso e no controle das doenças associadas, como hipertensão arterial e diabetes, provendo uma efetiva qualidade de vida a quem se submete ao procedimento. Basta procurar o cirurgião especializado para tirar todas as dúvidas e comprovar a eficácia desse tratamento”, finalizou.

Texto produzido em: 11/05/2017