A obra O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, apresenta-se Clássica. Diria até atemporal, afinal, analisando o “pequeno volume” percebemos que pouca coisa mudou de quinhentos anos atrás para hoje, 2016. Principalmente no que diz respeito à manipulação de massa, o povo continua ainda sendo manejado por políticas de ideologia “maquiavélica”. Interessante ressaltar, que o autor como profundo conhecedor destes processos, não os questionam e sim estimula suas práticas. 
Entretanto, Maquiavel ao orientar fazer o mal, somente quando necessário, ameniza o adjetivo pejorativo “maquiavélico”. Assim como ao aconselhar o Príncipe, mostrar-se religioso e possuidor de bons hábitos, mas, quando a necessidade vir à tona, abandonar a moral cristã e defender o seu reino, contribui para o pragmatismo da Fé. Um dos motivos de ser condenado pela Igreja, principalmente num momento histórico decisivo de abandono da espiritualidade excessiva do Gótico e de transição advindo da Reforma.
Seus tratados nos fazem enxergar claramente a origem da popularidade de alguns políticos, a cultura e a manipulação das massas na Pós-Modernidade, os interesses por trás de infinitas atitudes e ideologias políticas de um passado recente e da atualidade. O que nos faz identificar em Maquiavel, principalmente pelo acesso e análise documental de cinco séculos atrás, o seu caráter irrefutável de gênio.
Todavia, estudar O Príncipe e seu ideal, comparando-o às artimanhas atuais do Poder, numa dita democracia (ou democracia totalitária?), sob o consentimento popular, realmente é vergonhoso. Até porque como dito acima, o tom da obra de Maquiavel não é critico e sim de estímulo às suas práticas e ideais para conquista e manutenção do Poder.

Texto: 20/03/2016