A professora Flávia Barreto

A voz é o instrumento de trabalho de muita gente. Professores, vendedores, músicos, médicos, quase todo mundo precisa se comunicar em sua profissão. Com o tempo seco e quente, algumas atitudes podem irritar as cordas vocais, como uso excessivo de ar condicionado e água muito gelada. Mas existem coisas simples que podem ser feitas por todos nós para preservar o nosso instrumento de comunicação.

É o que garante a fonoaudióloga especialista em voz e professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade Redentor, Flávia Barreto. “A voz é produzida pelas pregas vocais, que é um músculo muito frágil e delicado. O que poderia então causar a disfonia? Em primeiro lugar, algumas pessoas têm uma predisposição genética, mas, além disso, o uso da voz no dia a dia e alguns fatores podem favorecer esta predisposição. Por exemplo, falar demais, falar sem respirar, gritar muito, falar sem beber água e o uso de medicação sem prescrição médica. Além disso, tem a influência do ar-condicionado, da poluição, e, como fatores extremamente prejudicais, a bebida alcoólica e o fumo. Estes últimos são tão danosos que promovem o câncer de laringe. Temos também, dentre os riscos, a imitação de vozes, porque existem profissionais, como os dubladores, que imitam, mas eles têm técnica para isso. Você passar um dia inteiro imitando vozes fora do seu timbre normal gera uma sobrecarga. Para os cantores, inclusive os amadores, há riscos em cantar com um playback não adaptado para o seu tom de voz, pois aí cantam em extensões que forçam demais as cordas vocais. E dois hábitos que parecem inocentes, mas fazem mal também, são a tosse e o pigarro, que promovem um atrito muito grande na prega vocal”, disse.

A professora destaca ainda a importância do aquecimento vocal para utilizar a voz de forma adequada. “O profissional que trabalha o dia inteiro com a voz pode fazer um aquecimento vocal no período da manhã, para preparar o uso da voz. Este aquecimento funcionaria como o aquecimento para musculação, preparando as cordas vocais e evitando que ela tenha algum dano. E buscar aprender técnicas para não forçar o mecanismo fonador, tendo um melhor rendimento da voz sem risco. Também é interessante que a pessoa faça períodos de repouso. Um professor que tem um intervalo seria ideal que, ao ir para a sala dos professores, não ficasse falando. Durante o uso da voz é importante que se evite algumas coisas, como mudança brusca de temperatura. Café muito quente ou sorvete e água muito gelada. No momento do uso da voz, o ideal é que os líquidos ingeridos o sejam em temperatura ambiente. Alimentos muito pesados e gordurosos também não são recomendados e uma boa noite de sono é fundamental.”.

Texto produzido em: 09/10/2014