Inicio esse texto, cuja vinheta me permite escrever na primeira pessoa do singular e sobre outras que posso pluralizar para compô-lo (dessa vez com saudades no coração), para relembrar fatos que tiveram o seu início em 2001.

Vivíamos, naquele ano, a primeira década de vida do Mania de Saúde e vibramos muito com a notícia que, na Fundação São José, em Itaperuna, acabava de ser instalado o primeiro curso de jornalismo do município, que muito ajudou a consolidar o início de um novo ciclo na educação, estimulando, ainda mais, a implantação de instituições educacionais que trouxeram orgulho às gerações de itaperunenses contemporâneos e a certeza de um futuro promissor junto às suas raízes.

Senti que precisava, naquela época, retribuir ao carinho e hospitalidade com que fomos recebidos no Noroeste Fluminense, em particular, com o povo de Itaperuna, ao mesmo tempo que pudesse mostrar que o papel social da imprensa passava bem ao largo dos interesses comerciais sugeridos pela venda de publicidade.

Foi quando tive a ideia de criar um corpo de repórteres composto por alunos da Fundação São José, mesmo sendo calouros e cursando o 1º Período do curso de Jornalismo.

Telefonei para Camilo de Lelis, então coordenador do curso, e solicitei que ele avisasse aos alunos da nossa intenção e a disponibilização de três vagas abertas pelo Mania de Saúde.

Foi um sucesso! Vários alunos compareceram ao escritório da sucursal do nosso jornal, o que me deixou bastante surpreso.
Três alunos foram para o teste final: Evandro Duarte dos Santos, Katiane Purificate e Silvia Martins.

Para cada um dos três escolhi uma pauta diferente para apuração (com uma máquina analógica na mão), e um prazo de duas horas para entregar cada lauda (30 linhas), pronta.

Enquanto me preparavam as laudas, coloquei os filmes para revelar. E qual foi o meu espanto? Ali estavam revelados três imensos talentos.

Silvia saiu do Mania para mudar de cidade.

Katiane para fazer cursos que ainda não haviam em Itaperuna, além de lecionar.

Evandro solicitou demissão para lecionar em Bom Jesus e para estudar para concurso. Mas parece que já havia sido seduzido, definitivamente, pelo jornalismo, quando o vi em ação defendendo, de forma brilhante, a imagem da TV Globo, pela sua concessionária Inter TV.

A correria da nossa rotina me impediu de uma proximidade prazerosa com os três, mas após 14 anos, volto a me encontrar com a Silvia, responsável pela Assessoria de Imprensa da Faculdade Redentor, e ouvi dela, como primeiras palavras, a seguinte frase: “Meu eterno chefe”. Comovido, como um pai que vê o filho passar em 1º lugar na faculdade, fiquei calado, deixando que as lágrimas secassem de dentro para fora.

Da Katiane só tenho excelentes notícias de amigos comuns e colegas de jornalismo. Todos são unânimes em afirmar: “Como cresceu e se transformou profissionalmente”.

Evandro, caro amigo, essa sua mudança de espaço e tempo não era por nós, colegas e admiradores do seu trabalho, esperada. E nos pegou de surpresa e dor.

O que nos conforta é saber que você, certamente, está ao lado de grandes nomes do jornalismo, do naipe de Paulo Francis, Samuel Wayner, João Saldanha, João Ubaldo, ouvindo as piadas de Sérgio Porto e gargalhando com as gafes de Ibraim Sued, sob a visão contemplativa e empreendedora do seu colega, jornalista Roberto Marinho, todos despojados da vaidade, inveja e outros sentimentos menores e mesquinhos que esse plano evolutivo de vida tanto nos atormenta.
A minha oração com o desejo de luz pela sua paz.

Texto: 15/06/2015