A toxina botulínica é muito conhecida por sua utilização na medicina estética, com a finalidade de minimizar as marcas de expressão. Devidamente regulamentada pela resolução CFO 176/ 2016, seu uso na odontologia vem sendo implantada para fins terapêuticos como bruxismo primário e secundário, hipertrofia dos músculos da mastigação, disfunções têmporo mandibulares, dor orofacial, sialorreia, babação, distonias, úlceras traumáticas de pacientes neurológicos, exposição gengival acentuada.
Nossa reportagem ouviu a cirurgiã dentista Dra. Ada Lavor, especialista em tratamento de pacientes com necessidades especiais. Ela nos deu importantes informações sobre o tema. “Atuando com pacientes especiais há 11 anos, observamos algumas alterações neurológicas com repercussão direta na cavidade oral, e a mais comum delas é o bruxismo secundário e a sialorreia (babação/drolling - termo descrito na literatura), afetando diretamente a qualidade de vida do paciente. Pacientes domiciliares também são beneficiados por estas técnicas, já que muitos idosos, com diagnósticos de doenças senis como o Parkinson, apresentam severos episódios de bruxismo e apertamento dentário, causando fraturas de dentes, dores cervicais e diminuição da eficiência mastigatória”, afirma.
A seguir, Dra. Ada explica as patologias que podem ser tratadas com o uso da toxina botulínica.

Bruxismo Primário e Secundário
“Bruxismo é o movimento de ranger, apertar, comprimir ou encostar os dentes. De acordo com o período em que acontece se divide em bruxismo em vigília (acordado) e bruxismo do sono. Esta divisão é importante, pois a fisiopatologia e o tratamento para estes tipos de bruxismo são diferentes”.

Dor Orofacial / Distonias 
“São contrações musculares e involuntárias, que podem abranger a língua, os músculos da mastigação e os faciais”.

Úlceras traumáticas
“Nesses casos, a toxina botulínica é importante para diminuir a atividade muscular, mas apresenta efeito gradativo com o passar do tempo, ou seja, seus efeitos não são imediatos”.


Sialorreia/ Babação
“O diagnóstico de babação é puramente clínico e geralmente acontece em pacientes especiais neurológicos e oncológicos. É responsável pelo aumento de broncoaspiracão. A sialorreia acomete aproximadamente 70% dos pacientes que apresentam retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, afetando negativamente o estado emocional e dificultando sua vida social, e a toxina botulínica, quando aplicada nas glândulas salivares, visa bloquear os receptores de acetilcolina, tendo como objetivo a diminuição da quantidade de saliva”

Dra. Ada ainda salienta a importância de se procurar um profissional habilitado para este tipo de procedimento. “Vale ressaltar que o cirurgião-dentista deve estar devidamente habilitado para tal função, e que a aplicação por esse profissional tem a finalidade terapêutica, buscando melhorias na qualidade de vida dos pacientes e sempre indicado quando outras medidas terapêuticas não são eficientes. O conhecimento da anatomia da musculatura facial, das toxinas existentes no mercado, sua composição e peso molecular influenciarão diretamente na indicação de cada caso. Somado a isso, o dentista precisa conhecer o paciente, pois cada alteração sistêmica precisa ser levada em consideração, assim como idade, peso, severidade da patologia, comorbidades, sendo essencial a necessidade de se avaliar cada caso em particular, para a escolha do melhor protocolo”.