colocar o filho em uma boa escola, matriculá-lo em um curso de inglês e fazê-lo praticar esportes é o desejo da maioria dos pais, não é mesmo? Mas existe um fator que precisa ser observado com mais cuidado por ser um dos pilares do desenvolvimento da criança: a alimentação. Principalmente em um mundo repleto de alimentos industrializados ou fast foods, que oferecem, ao público infantil, uma dieta totalmente inadequada, capaz de prejudicar, em muito, a sua saúde.
No consultório pediátrico New Ped, é muito frequente, por exemplo, as queixas relacionadas à alimentação, como afirma ao Mania de Saúde a médica pediatra Dra. Ellem Ramos, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, com Título de Especialista em Pediatria (TEP) pela Sociedade Brasileira de Pediatria, especialização em Medicina Intensiva Pediátrica e Neonatal, Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). 
“Tanto no consultório de pediatras, quanto no de nutricionistas, é muito comum aparecerem problemas relacionados à alimentação, seja a obesidade, em crianças que se alimentam mal desde cedo, pois são expostas a alimentos de má qualidade, contendo muito açúcar ou gordura, seja o contrário, em crianças um pouco maiores, mas que adquirem uma seletividade alimentar ao escolher o que comer. Elas ficam mais restritivas, não comem quase nada e acabam tendo deficiência de cálcio, de vitamina D, anemia, entre outros problemas ocasionados por essa restrição. Da mesma forma, a criança obesa também pode ter essas deficiências nutricionais, já que só come, em excesso, alimentos destituídos de um valor nutricional adequado. Às vezes a criança é gordinha e todo mundo acha que ela é saudável, mas, na verdade, não é”, alerta Dra. Ellem.
A deficiência de micronutrientes, segundo ela, acaba gerando problemas a médio e longo prazo em ambos os públicos. “Quando a criança começa a introdução alimentar, com seis meses de vida, é fundamental que esse processo seja feito de forma correta. Um bom pediatra consegue dar uma orientação adequada e, se a família puder, um bom nutricionista também vai ajudar nesse início da alimentação, porque é quando você vai estar acostumando as papilas gustativas da criança, ensinando-a a comer. Isso fará com que ela mantenha bons hábitos alimentares pelo resto da vida. Mas o que a gente acaba vendo, apesar de não ser recomendado, é uma exposição muito precoce ao açúcar. Para se ter uma ideia, hoje a recomendação é a de que se evite qualquer alimento com açúcar, no mínimo, até os dois anos de idade. Na prática, entretanto, é o contrário. Existe criança que mama refrigerante na mamadeira, por exemplo. Outras tomam muito suco, que também é um assunto controverso, pois é recomendado para depois de um ano de idade. Se a criança é exposta a uma alimentação inadequada, ela se acostuma com aquele paladar. E, se alimentando mal, ela terá obesidade, colesterol alto, maior risco de diabetes, gerando aquilo que chamamos de síndrome metabólica. Ou seja: a criança acaba tendo todas aquelas doenças que, antes, só víamos nos idosos ou nos adultos”.
Uma das melhores maneiras de combater o problema, segundo Dra. Ellem, é realizando a puericultura. “Um dos assuntos centrais da puericultura, inclusive, é a alimentação. Apesar de o pediatra não ser um nutricionista, ele tem toda a liberação legal para acompanhar nutricionalmente a criança. Ele pode discutir a alimentação, orientar os pais e, em alguns casos, necessitar da ajuda do nutricionista também, encaminhando a criança para um trabalho conjunto, o que torna esse processo ainda mais saudável”, ressalta a pediatra, lembrando que a falta desse cuidado interfere até mesmo na educação. “A criança que fica muito seletiva, por exemplo, vai acabar apresentando uma deficiência de ferro, de vitamina D, de cálcio e, com isso, pode ter atrasos não só no ganho de peso, mas também no crescimento, além de dificuldades de aprendizado. Isso traz sequelas muito graves, que devem ser detectadas precocemente. Boa parte dos pais, no entanto, ignora o problema. Muitos levam o filho ao pediatra no primeiro ano de vida, porque é bebezinho e há aquela preocupação se está crescendo, mas, depois de um ano, não continuam o acompanhamento e acham que a criança só deve ir ao pediatra quando estiver doente. Mas é o inverso. Ela precisa ser acompanhada de forma integral, para que tenha um crescimento saudável e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida”.

Texto produzido em: 21/06/2019