“Levar o empenho de educar das escolas, das universidades e das igrejas para os clubes, bares, cafés etc, enfim, para onde palpita intensamente a vida social”- Latour Aroeira. 

Quando Latour Aroeira, numa edição niteroiense da revista Planície do campista José Honório de Almeida, lá pelos anos 50 do século passado, deixou grafado em artigo a ponderação da epígrafe deste texto, talvez Sylvio Muniz ainda não tivesse nascido. Todavia, ele premonitoriamente, como que desenhou o retrato do mensário Mania de Saúde criado pelo jornalista Sylvio Muniz. Iniciativa, sem dúvida, de um homem de jornal que, mesmo antes de passar pelos bancos acadêmicos do curso de jornalismo da nossa eterna Faculdade de Filosofia de Campos do UNIFLU, já levantara a luva para o bom combate ao fazer de sua folha um instrumento sem fronteiras de disseminação da cultura, pois sempre circulou dos consultórios médicos e apartamentos dos componentes da classe “A”, que a recebiam por distribuição privilegiada, aos clubes, às cantinas das instituições de ensino superior, aos cafés, aos salões de beleza, etc, tal o interesse que desperta.
Não seria exagero dizer que o Mania de Saúde, pela amplitude dos temas culturais que aborda em suas páginas, não se distancia muito de The Spectator de Richard Steele e de Joseph Addison, que chegava a levar para as mais variadas classes sociais de forma didática e altamente esclarecedora até os mais intricados problemas filosóficos desenvolvidos numa linguagem encantadoramente amena. Sim, O Mania tem, guardando evidentemente as devidas distâncias, algo de The Spectator, revista inglesa a dar os primeiros passos da caminhada da imprensa pela senda do jornalismo cultural, nos meados do século XVIII. Por outro lado, o The Spectator, como The Rembler, The Examiner e o London Magazine, contavam, às vezes, com a colaboração de um médico chamado Oliver Goldsmith, que tanto escrevia sobre assuntos do campo da medicina quanto sobre temas estritamente literários. O meu querido amigo Luiz Antônio Pimentel, pouco antes de sua morte, me deu uma aula sobre esse médico irlandês do século XVIII, e o fez movido por uma sucessão de ideias, pois ao levar para ele um exemplar do Mania de Saúde, não se furtou em dizer, com outras palavras, que o mensário de Sylvio Muniz, por abrigar em suas colunas temas médicos, literários e de tantas outras áreas do conhecimento humano, tinha o aspecto eclético da personalidade do Doutor Goldsmith. 
E não me espantou tal afirmação de Pimentel, porque o renomado médico Ivolino de Vasconcelos, uma das maiores autoridades em História da Medicina, no Brasil, em entrevista que me concedeu, no doce Rio de Janeiro dos Anos Dourados, afirmou que o seu colega irlandês Goldsmith, que viveu no Século das Luzes, foi um dos maiores clínicos de sua época, bem como um dos mais festejados escritores do seu tempo. E que a todos conquistava pela sua humildade, coragem e humor. Aliás, traços do caráter do meu primo e amigo Sylvio Muniz, cada vez mais vivo em minha saudade. E estou certo de que com esta tríade comportamental os seus companheiros de trabalho levarão adiante o Mania de Saúde. O educomunicador Sylvio Muniz ainda iluminará a trajetória dos que atuarão no mensário que fundou.

Texto: 20/05/2016