Os transtornos mentais acometem, em algum momento da vida, ao menos 20% da população mundial. As doenças psiquiátricas mais frequentes na população são a depressão e os transtornos de ansiedade. Procurar ajuda para lidar com essas questões é fundamental. 
Os grupos terapêuticos podem ser uma poderosa ferramenta para aprender a lidar melhor com esses transtornos. Nossa reportagem foi até a clínica Vila Verde e conversou com Dra. Lana Maria Pereira da Silva e Dra. Gabriela Ferreira, psiquiatras da instituição. Dra. Lana começa nos explicando como surgiu a ideia dos grupos. “Nós observamos que há pacientes que não se adaptam bem às terapias individuais, mas, ao mesmo tempo, têm boa resposta aos grupos e à socialização. O projeto de criar os grupos terapêuticos surgiu de uma demanda dos nossos pacientes. O principal objetivo é integrar os processos conflitantes destes indivíduos, fazer com que eles estejam inseridos em um grupo, trabalhando questões como ansiedade e depressão, através da coletividade”. 
Dra. Gabriela pontua ainda outro aspecto. “É importante salientar que uma coisa não exclui a outra. O paciente pode fazer a terapia individual e participar dos grupos terapêuticos, sem problema nenhum. A equipe dos grupos é multidisciplinar e além do acompanhamento psicológico, conta com arteterapia, e, em algumas sessões, com técnicas de TCC, ferramentas de coaching e ainda com psicanálise. Em uma das sessões ainda, há a presença de um psiquiatra e é quando se pode discutir a respeito das medicações”. 
Dra. Lana define também o propósito dos grupos. “A ideia é reunir um grupo pequeno de pessoas que tenham a mesma patologia ou a mesma dificuldade e que se identifiquem com o sofrimento do outro. Por exemplo, se eu sofro de ansiedade e me reconheço no outro e percebo que ele tem as mesmas questões, isso faz com que eu aprenda a lidar melhor com a minha própria ansiedade. A dor compartilhada é diferenciada”.
As psiquiatras prosseguem falando sobre o trabalho. “Grupo terapêutico não é terapia em grupo. É para trabalhar as relações humanas, a interação social e a comunicação no grupo, do indivíduo que tem dificuldades de lidar com as suas próprias dificuldades. É levar esse paciente a refletir sobre sua vivência no mundo. Nós somos um hospital dia, onde há internações, mas esses grupos são para pacientes externos, que podem vir por indicação de colegas da área de saúde mental ou por demanda espontânea. A gente trabalha com algumas ferramentas, como por exemplo, escalas para definir em que momento aquela pessoa está em sua ansiedade ou na sua depressão. E através de jogos, vamos trabalhando com as dificuldades que cada pessoa tem. O propósito é emponderar este paciente para que ele lide com o seu problema. A gente quer trabalhar também com a família, para que ela esteja mais próxima também do tratamento. Nós começamos com grupos separados para pessoas com ansiedade, com depressão e com TDAH, mas queremos ampliar para pacientes com insônia e demência leve. Novos grupos iniciarão no dia 18 de julho”, finalizam.