O Mania de Saúde juntou duas especialistas em terapia tântrica para responder perguntas sobre sexualidade. A terapeuta tântrica Sol Moraes afirma que a sexualidade vai além do sexo, enquanto a pós-graduada em terapia sexual na saúde e educação, Jennifer Vendimiatti, destaca o trabalho de educação sexual como prevenção de saúde. Confira.
Mania de Saúde – Como analisa a vida sexual do brasileiro?
Sol Moraes – Eu acredito que, de um modo geral, a vida sexual do brasileiro é satisfatória, se pensarmos na evolução de homens e mulheres nesse campo. Homens mais preocupados com o prazer feminino e mulheres se permitindo cada vez mais sentir esse prazer. Acontece que ainda colocamos nosso prazer dependente de fantasias ou do parceiro, e nenhuma dependência é benéfica a longo prazo. O prazer deve ser compartilhado com o parceiro e não dependente dele. Está dentro de nós, e na terapia tântrica desenvolvemos esse prazer intenso, real, de dentro para fora. Que não depende de psicogênese ou estímulos externos. Mas que compartilha, agrega.
Mania de Saúde – O brasileiro fala mais de sexo do que faz?
Sol Moraes –
Acho que não só sobre sexo, mas o ser humano tem a necessidade de falar por vaidade. E nós, brasileiros, somos muitos vaidosos. Mas, na filosofia tântrica, aprendemos a dar mais valor à nossa essência e menos ao nosso ego. Aprendemos a valorizar o sentir e que a qualidade é muito mais importante que a quantidade. E é possível unir essas duas coisas.
Mania de Saúde – O assunto sexualidade não é mais um tabu, mas acredita que ainda seja tratado de forma superficial?
Sol Moraes –
Sim, infelizmente a maioria das pessoas ainda não sabe o real significado de sexualidade. Que vai muito além de sexo. A sexualidade é forma como cada um se relaciona com o próprio prazer, e cada pessoa exerce a sexualidade de maneira única. Você deve descobrir aquilo que lhe dá prazer, nas suas relações sexuais e fora delas. O prazer e a sexualidade não se limitam ao sexo.
Mania de Saúde – Como os problemas sexuais afetam a vida social das pessoas de maneira geral?
Jennifer Vendimiatti –
A partir do momento em que a pessoa apresenta uma disfunção, ela entra em estado de desarmonia com outros aspectos da vida, seja afetivo, social, profissional, afetando a autoestima, aumentando a insegurança, ansiedade entre outros fatores. A disfunção afeta não somente o relacionamento com o/a parceiro/a, como afeta também a forma de interagir com os amigos e os colegas de trabalho. A pessoa pode perder a confiança, o prazer no cotidiano e moral. Muitas pessoas têm suas carreiras como centro de suas vidas e quando se vêem vulneráveis pode significar uma falha também refletida na sexualidade, podendo surgir também a depressão.
Mania de Saúde – Quais são as principais disfunções sexuais dos brasileiros e como devemos tratá-las na visão da terapia tântrica?
Jennifer Vendimiatti –
Na maioria das vezes as principais disfunções são: falta de ereção e ejaculação precoce no caso dos homens, e anorgasmia (dificuldade ou incapacidade de chegar ao orgasmo) e dispareunia (dor na relação sexual) no caso das mulheres. Conseguimos realizar o tratamento através da terapia tântrica (massagem, meditação e respiração). Mas lembrando que a terapia tântrica e a terapia holística não substituem o tratamento médico, e são um complemento para auxiliar no tratamento”.

Texto produzido em: 20/06/2017