A revista norte-americana New York Magazine declarou, certa vez, que o brasileiro Ivo Pitanguy era “o rei da cirurgia plástica”. A revista alemã Der Spiegel o chamava de “Michelangelo do bisturi”. No obituário do médico, o The New York Times disse que, durante o século 20, Pitanguy só não foi mais conhecido internacionalmente do que Pelé e Carmen Miranda. 
Surpreso? Não fique. Pitanguy é considerado um dos papas da cirurgia plástica no mundo. Por suas mãos e pelas dos alunos que aprenderam com ele, o Brasil se tornou uma superpotência na cirurgia plástica. 
Segundo dados da Isaps (sigla em inglês para Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas Para Fins Estéticos), o Brasil é o segundo país com o maior número total de procedimentos estéticos, perdendo apenas para os Estados Unidos. Em 2015, foram 1,22 milhão de cirurgias plásticas realizadas em solo brasileiro. E o país, que tem menos de 3% da população mundial, concentra 12,7% de todas as cirurgias estéticas feitas no mundo. 
Para entender esse fenômeno, o Mania de Saúde entrevistou o médico cirurgião plástico Dr. Gustavo Cortes, Membro Titular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Segundo ele, é fácil entender o sucesso da especialidade. “O Brasil é um grande formador de cirurgia plástica estética. Devemos muito disso ao professor Pitanguy, que infelizmente acabou de nos deixar. Ele foi o pai de todos nós. Quem não aprendeu direto com ele, aprendeu com alguém que aprendeu com ele. Pitanguy expôs, para o mundo, a cirurgia plástica estética, área na qual o Brasil sempre se destacou. Somos um país tropical, onde a população naturalmente anda menos vestida, diferente dos EUA e dos países da Europa, por exemplo, que são mais frios e não possibilitam a exposição natural do corpo. Essa característica, aliada ao poder aquisitivo do Brasil, que integra o BRICS e é um expoente dos países continentais, nos levou a ter bons serviços de formação de estética ao longo da história. Esses serviços acabaram se tornando referência para o mundo inteiro”, afirma o médico. 
Dr. Gustavo mesmo é um exemplo desse legado: estudou com o célebre Dr. Ronaldo Pontes (aprendiz de Pitanguy) e é professor no serviço de cirurgia dele, em Niterói. 
De acordo com o médico, a expertise brasileira é tanta que, mesmo os EUA tendo grande experiência em cirurgias estéticas de face e nariz (partes do corpo que o frio norte-americano não impede de serem expostas), o Brasil mantém o mesmo nível de qualidade. A começar pelo serviço do Dr. Ronaldo Pontes, que é referência mundial nessa área. “A procura pela cirurgia de face é muito grande por aqui”, diz Dr. Gustavo. “A evolução das técnicas cirúrgicas eliminou o estigma da ‘cara esticada’. Por isso ela é chamada, hoje, de cirurgia do rejuvenescimento facial, pois busca deixar a paciente jovem, rejuvenescida, sem aquela aparência artificializada, de ‘cara esticada’, tão comum no passado. As técnicas atuais enterraram esse conceito. A partir do momento em que as pessoas passaram a ver os novos resultados e se depararam com rostos mais naturais, mais rejuvenescidos e harmônicos, elas procuraram mais a cirurgia”, revela o médico. “O mesmo aconteceu com a rinoplastia. Os resultados antigos eram muito artificiais. Mas o conceito da rinoplastia mudou completamente nas últimas décadas. Entendeu-se muito mais da anatomia nasal e da função das estruturas nasais. Os estudos e as pesquisas nessa área avançaram bastante. Percebeu-se que o nariz é uma estrutura extremamente complexa, pois contém todas as estruturas corporais. No nariz existe pele, músculo, osso, cartilagem, nervo, vaso, veia... A rinoplastia sofreu uma reviravolta ao dar conta dessa complexidade, propiciando resultados superiores, duradouros e funcionais. Antigamente, era comum a pessoa fazer a rinoplastia, mas não conseguir respirar direito. Isso acabou. Os resultados de hoje permitem que pessoa respire bem e ganhe um nariz muito mais belo”, revelou Dr. Gustavo. A funcionalidade da rinoplastia melhorou tanto que, de acordo com ele, vários otorrinolaringologistas têm encaminhado pacientes com alguma alteração funcional. 
Isso mostra que as cirurgias plásticas avançaram e permitem resultados incríveis – mas é bom lembrar que o processo é sempre individualizado. “Cada pessoa tem as suas características. Todo resultado é individual. Não adianta se basear na cirurgia do amigo ou da amiga. Aquele resultado é daquela pessoa. É importante esse cuidado. Tudo depende da indicação. Na face, por exemplo, a mulher tem plena indicação de cirurgia quando vai se maquiar e precisa puxar muito a pele ou sente que os sulcos e os vincos já estão bem marcados. Nesse momento, é muito melhor consultar o cirurgião plástico, pois o ganho estético será muito maior, com resultados que duram anos e promovem o rejuvenescimento facial adequado, sem que a paciente sofra os prejuízos de ir tentando outros métodos, que no final saem mais caros e não dão a ela o resultado que tanto sonhava”.

Texto produzido em: 25/08/2016