Camila Manhães e Ana Beatriz Abreu

 

Ao procurar por ajuda terapêutica, muitas vezes nos deparamos com alguns tipos de abordagens que para nós, público leigo, não fica muito claro do que se trata. Afinal, não estudamos para isso e a dúvida pode surgir na hora de escolher um profissional. Foi pensando nisso que a equipe de reportagem do Mania de Saúde visitou o Espaço Psi e conversou com duas de suas psicólogas. 


A psicóloga Camila Manhães explica um pouco melhor as diferenças de cada tipo de abordagem. “Aqui na clínica nós trabalhamos com a abordagem existencial, com a TCC (terapia cognitiva comportamental). Além disso tem a psicanálise e a terapia junguiana, que são abordagens analíticas, onde se trabalha muito com os sonhos, o terapeuta fala menos e dá mais oportunidade de o paciente entrar em contato consigo mesmo através da fala, que é um excelente meio de elaboração e fazer a catarse, que é associação livre de palavras. A abordagem existencial humanista é mais filosófica e trabalha muito com a questão da escolha. Acaba permitindo uma interação um pouco maior do que a abordagem analítica. A TCC é mais dinâmica, colaborativa, onde o paciente e o terapeuta trocam muitas informações. São utilizadas técnicas que facilitam esta interação e tem a característica de ser mais rápida, porque trabalha bastante com o momento presente. A abordagem analítica dá mais espaço para o paciente se expor. Isso não tem nada a ver com eficácia. São apenas métodos diferentes para se chegar ao lugar desejado”, afirma Camila. 


Ana Beatriz Abreu diz que o tempo de tratamento depende da elaboração do indivíduo. “A demanda é o tempo. O paciente chega, mas nós não temos como afirmar para ele quanto tempo vai durar, porque a psicoterapia não funciona como cura, mas como técnicas que podem levar a pessoa a pensar em possibilidade de mudança. A terapia existencial humanista leva a pessoa ao autoconhecimento e ao desenvolvimento. A gente precisa ajudar a pessoa a perceber que ela precisa se conhecer. É importante deixar claro para o indivíduo que depende mais dele do que de nós. Se ele não se aplicar no processo terapêutico, fica realmente difícil. Um diferencial que eu vejo na terapia existencial é que nós, terapeutas, não vemos o indivíduo como uma coleção de sintomas, mas como uma pessoa única, singular, que precisa ser respeitada naquilo que ele está trazendo. Temos um olhar muito empático e isso nos ajuda a fortalecer o vínculo terapêutico”.

 

Texto produzido em: 20/10/2015