A necessidade da avaliação psicológica para se submeter à cirurgia bariátrica é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, por meio de Resoluções que definem indicações, procedimentos e equipe. Nesse sentido, a presença do psicólogo na equipe de cirurgia bariátrica é fundamental. Nossa reportagem ouviu a psicóloga Valquíria Arêas para saber a importância do profissional dentro deste contexto cirúrgico.
Mania de Saúde – Quais são os fatores ligados a obesidade?
Valquíria Arêas –
Quando a gente fala em obesidade, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a pessoa que se alimenta em excesso e gasta pouca caloria. Mas não envolve só isso, engloba uma série de fatores. A obesidade envolve elementos fisiológicos, emocionais, ambientais, genéticos, comportamentais. E ainda traz comorbidades, doenças associadas. Normalmente o obeso tem hipertensão arterial, pode desenvolver diabetes tipo 2, propensão a problemas articulares. Além disso, tem as limitações físicas. O obeso não consegue desenvolver atividades que uma pessoa com o índice de massa corpórea ideal consegue. Dentro do próprio ambiente de trabalho a pessoa não consegue desenvolver determinados tipos de tarefas, dependendo de algum colega para executar, o que pode trazer constrangimentos.
Mania de Saúde – O que o paciente busca quando decide pela cirurgia?
Valquíria Arêas –
O maior desejo do paciente obeso é uma mudança. Ele vê a cirurgia bariátrica como a possibilidade de mudar totalmente a sua vida. Ele deposita nesse emagrecimento todas as chances de realização profissional, muitas vezes de restaurar um casamento, melhorar sua autoestima. Ele acha que tudo será resolvido. E realmente é uma vida nova. Quando o paciente procura o cirurgião bariátrico, ele já vem de um histórico de tentativas frustradas de emagrecimento. Já passou por todas as dietas da moda, muitas vezes fez uso de medicamentos e não consegue sair do sobrepeso. Com isso a autoestima já está comprometida com o sentimento de inferioridade. E esse paciente sofre com o preconceito, que acaba acarretando no afastamento do convívio social. Isso vai deixando o paciente mais deprimido e ele acaba usando o alimento como uma espécie de compensação por aquela dor que ele sente. 
Mania de Saúde – Qual é o papel do psicólogo no período pré e pós-operatório?
Valquíria Arêas
– O paciente vem sempre encaminhado pelo cirurgião plástico. E, normalmente, há uma equipe envolvida para este tipo de procedimento. O paciente tem que passar por uma avaliação psicológica, nutricional, são vários profissionais atuando em conjunto. O psicólogo faz uma avaliação para saber se este paciente está apto emocionalmente para se submeter a essa cirurgia. Durante as sessões de avaliações, são feitos entrevistas e testes. É importante trabalhar também as expectativas com relação à cirurgia, investigar as condições que levaram a instalar o quadro de obesidade. No pós-operatório é natural que o paciente fique emocionalmente confuso, porque ele passa por sensações que ninguém passa, é uma mudança bastante grande. O que irá facilitar ou dificultar essas experiências dele é o seu grau de comprometimento com a equipe multidisciplinar. Por isso, seguir as orientações médicas, nutricionais e psicológicas faz toda a diferença no resultado final. O acompanhamento psicológico nesta nova fase fortalecerá e ajudará o paciente a se organizar. Sua rotina muda completamente. Daí o acompanhamento pós-cirúrgico ser tão importante quanto o que é feito antes. 

Texto produzido em: 21/03/2016