O Parkinson é uma doença degenerativa, de caráter progressivo, que atinge cerca de 4 milhões de pessoas no mundo, com estimativas de esse número dobrar até 2040. Segundo a médica neurologista clínica Dra. Luiza Lopes, o que caracteriza o problema é a redução de uma substância chamada Dopamina em uma determinada área do cérebro. “A redução da Dopamina na substância negra é o que causa a doença de Parkinson. Tanto que um dos principais tratamentos da doença é um remédio que repõe essa substância. Não há cura para o problema, mas é possível frear o avanço e estabilizar”, disse. 
Existem alguns estudos embrionários, mas ainda é difícil determinar o que causa o Parkinson. Há fatores genéticos envolvidos, mas não é apenas essa a causa. Na maioria dos casos, não se sabe o que deflagra o início da doença. Embora o tremor seja um dos sintomas mais perceptíveis de Parkinson, existem outros aspectos que podem indicar o surgimento do problema, conforme acrescenta a médica. “Existe uma forma da doença de Parkinson em que o tremor é dominante. Mas também há outras formas em que o paciente praticamente não apresenta este sintoma nos estágios iniciais. Ele começa a mostrar uma lentificação dos movimentos, a se sentir mais lento para andar, para exercer alguma atividade ou levantar de uma cadeira. A marcha da doença de Parkinson também é bem característica, bem lenta. A gente chama de marcha de pequenos passos. Então, se a queixa não é de tremor, é dessa lentidão, e muitas vezes o paciente sente-a como uma dor. Essa lentidão e essa rigidez, que no Parkinson geralmente começa de um lado para depois acometer o outro, é uma pista para ajudar no diagnóstico. Outro aspecto importante com relação aos sintomas é que hoje já se sabe que cerca de cinco a dez anos antes de surgir o tremor ou a lentidão dos movimentos, o paciente pode apresentar algumas alterações, como variação de humor e a redução do olfato, que é uma das indicações precoces mais evidentes da doença de Parkinson. O que não quer dizer que toda redução de olfato é necessariamente Parkinson, mas é um dos sintomas”, afirma a médica.
Dra. Luiza ainda fala sobre a faixa etária em que a doença costuma se manifestar. “Normalmente é mais comum em pacientes acima dos 50, 60 anos, mas existe a doença de Parkinson de início precoce, em pacientes até com 20 anos de idade. Mas é raro. Ainda falando sobre os sintomas, as alterações de sono também devem ser acompanhadas de perto. Uma delas, bem característica, é o distúrbio de sono REM. O REM é a parte do nosso sono onde ocorrem os sonhos. Normalmente, quando estamos sonhando, nosso corpo está paralisado, ficamos num estado de atonia. Com esse distúrbio, a pessoa perde essa atonia e passa a ter sonhos vívidos. Por exemplo, se você sonha que está batendo em alguém, pode bater no companheiro ao lado. Não é apenas o Parkinson que causa isso, porém é um sintoma precoce bem evidente”. 
Por fim, Dra. Luiza fala sobre o tratamento para melhorar a qualidade de vida do paciente. “Além do tratamento com a medicação, é um tratamento multidirecional, com fisioterapia, fonoaudiólogo, e a gente estimula o paciente a ter alguma atividade física, como hidroterapia, bicicleta etc. É importante que, após os 50 anos, as pessoas procurem fazer consultas de rotina com o neurologista, porque não é possível prevenir a doença, mas, quanto mais cedo ela for descoberta, maiores são as chances de o tratamento  oferecer uma qualidade de vida maior para o paciente”.
Dra. Luiza Lopes é especialista em neurologia, membro da Academia Brasileira de Neurologia e tem Observership em Neurologia pela Washington University in St. Louis. 

Texto produzido em: 23/06/2017