No ano de 2009, nesta mesma coluna, mostrei o meu estarrecimento quanto a declaração de um deputado de que estava “se lixando para a opinião pública”, e fiz relação com a frase de um autor que desconhecido de que “O pior desta nação é que as pessoas que elegem nossos governantes não são as que lêem jornal e sim as que se limpam com ele.” A frase choca, fere, até mesmo revolta, mas não se pode negar a verdade que veio embutida nela e a completa definição que ela traduzia, já naqueles anos, o desgaste de um sistema que caminhava para uma falência completa.
Digo falência porque, continuando o estado das coisas tal como agora vivenciando, nenhuma nação, por mais próspera que seja, poderá ver sustentada a sua democracia tendo por base o voto dos que “se limpam com ele”. A grande massa de eleitores ainda é, convenientemente, mantida na miséria, presa em currais eleitorais e,  “assistidos” por um populismo direcionado, onde na verdade recebem esmolas sob a máscara de “programas sociais”, enquanto o foco real da saúde, educação e segurança são apenas esboços para bonitas palavras no palanque.
Em uma análise fria e racional, verificamos que as instituições tidas como os pilares da democracia estão ruindo em uma velocidade estrondosa. O Legislativo não podia estar mais desacreditado e mais descarado, onde a sequência de escândalos é tanta e tanta, que nem mesmo o cidadão mais politizado conseguirá lembrar de todos, posto que o escândalo de amanhã vai lançar o de hoje no esquecimento. E, em regra geral, ninguém é punido, ninguém é afastado e, se renunciar, é certo que será reeleito na próxima.
Que modelo de democracia devemos adotar para que a Nação possa evoluir e desligar-se deste modelo que não está funcionando e, ao que parece, só é mantido por total ausência de interesse dos que estão no poder, vez que em uma estrutura mais evolutiva, que seria melhor, os atuais governantes dificilmente participariam.
Alguém tem que tomar coragem e dizer que o atual sistema de voto é irracional e só foi criado para que os velhos políticos não perdessem seus redutos e não tivessem que disputar suas bases com os políticos emergentes. Alguém tem que propor novos modelos eleitorais que possam, ao menos, tentar salvar esta “democracia cambaleante” de um fracasso próximo e eminente.

Texto: 20/04/2017