A gestação é um dos momentos mais bonitos da vida de uma mulher. E, atualmente, tem crescido o número de futuras mamães que estão optando pelo parto normal. Mas podem ocorrer situações durante a gravidez que a torne de alto risco, fazendo com que muitas acreditem que a cesárea seja a única opção. Mas não é. 
Nossa reportagem conversou com a médica ginecologista e obstetra Dra. Thayanna Alves Matsuda, especialista em gestação de alto risco e parto humanizado. Ela começa definindo o que seria considerado uma gestação de alto risco. “Existem várias situações que podem contribuir para este quadro. A gente costuma dizer que a gravidez normalmente é um momento saudável da vida da mulher, mas existem situações que antes mesmo de ela engravidar a gente já pode antecipar que tratará de uma gestação de alto risco, como por exemplo se a paciente tem mais de 40, ou meninas com menos de 18 anos. Em outros casos, a paciente engravida saudável, mas evolui com alguma alteração que muda esse panorama. Pressão alta, diabetes, doenças da tireoide, câncer e doenças virais como o HIV são situações que nós também enquadramos como de risco. No entanto, nem toda doença é de risco”, afirma Dra. Thayanna, explicando ainda algumas intercorrências que podem ocorrer durante a gravidez, tornando-a de risco. “Podem ocorrer situações como sangramentos, aumento de pressão, diabetes, tromboses. É preciso ficar atento a este tipo de situação. As consultas da mulher com gravidez de risco são mais frequentes e, em alguns casos, existem medicações que podemos lançar mão para prevenir problemas. Por exemplo, em uma gestante com mais de 40 anos a gente usa um medicamento para evitar que ela tenha pré-eclâmpsia, que é uma das complicações mais comuns na gravidez”. 
A médica explica por que mesmo em caso de gestação de alto risco, o parto normal é boa opção. “A cesariana foi criada para resolver problemas em relação à mãe ou ao bebê; quando um dos dois está em risco. Muitas comorbidades podem complicar na cesariana, que é uma cirurgia de médio porte e que pode complicar com sangramentos, a pressão pode ter alteração. Pacientes com tendência a fazer trombose também devem optar pelo parto normal, porque a cesariana triplica as chances de desenvolver uma trombose. O parto normal é seguro, mas é importante um acompanhamento pré-natal bem feito, com um profissional especializado em gestação de alto risco e ter uma equipe multidisciplinar para acompanhar a gravidez e o momento do parto adequadamente”. 
Dra. Thayanna encerra fazendo um resumo dos benefícios do parto normal em caso de gravidez de alto risco. “É muito mais saudável tanto para a mãe quanto para o bebê, tende a ser mais rápido, além disso, a cesárea aumenta as chances de ter trombose e hemorragias, com mais alterações de glicose e de pressão. O parto normal tende a fluir mais naturalmente. O pós-parto imediato tem uma recuperação muito mais rápida. Mas volto a dizer que é importante que se tenha um profissional especializado e uma equipe para dar todo o suporte na hora no parto”, finaliza.

É considerada Gravidez de Alto Risco quando há aumento da chance de complicações durante a gravidez ou parto, podendo colocar a vida da mãe ou do bebê em risco. Inúmeras condições podem favorecer a esse risco. Dentre as mais comuns estão:

- Idade < 18 anos ou > 40 anos
- Obesidade
- Hipertensão pré gestacional ou gestacional
- Pré Eclâmpsia
- Diabetes pré gestacional ou gestacional
- Gravidez múltipla (gemelar, trigemelar)
- Colagenoses (como o Lúpus, Esclerodermia)
-  SAF
-  Trombofilia
-  História de aborto recorrente
-  Câncer atual
-  Ameaça de parto prematuro
-  HIV
-  Infecções Congênitas (como Toxoplasmose)
-  Cardiopatias
- Pneumopatias
-  Nefropatias, entre outras. 

 

Texto produzido em 16/07/2019