Quem tem visto cabeça de bacalhau por aí?
Poucos privilegiados tiveram a experiência de ver a cabeça do bacalhau exposta à venda, já salgado, especialmente nos dias atuais, onde as novas armas mercadológicas investem em soluções tecnologicamente viáveis para o aproveitamento que vai desde as partes mais nobres como o lombo, até o cozimento da pele, escamas e espinhas que, após devidamente processados, servem como pano de fundo para mascarar o palato de risoto e o famoso bolinho, entre outras opções da criativa culinária brasileira.
Resta saber, meus caros leitores, diante desse grau de dificuldade, o que seria mais fácil: encontrar a cabeça do bacalhau ou cabeças de centenas de pessoas de notório poder envolvidas no maior sistema já conhecido, em escabrosas operações de corrupção neste país.
Quando escrevi o texto para essa mesma coluna, ainda no início do mês de Dezembro de 2015, para as duas edições distintas dos jornais Mania de Saúde Norte Fluminense e para a do Noroeste Fluminense, com sede em Itaperuna, que circularam a partir de 15 de Dezembro daquele ano, afirmei que: “Em mais de 40 anos de profissão e 25 desses dedicados exclusivamente ao Mania de Saúde, como jornalista responsável e seu editor/fundador e proprietário, não me lembrava de ter testemunhado tamanha tsunami de lama envolvendo em uma crise moral e ética, sem precedentes, a política brasileira”.
 
Salve dia 07 de Abril!               
 
Nesse contexto, é inequívoco o trabalho desenvolvido por jornalistas no quadro de apreensão que vive a nossa sociedade, e merece o nosso reconhecimento e os parabéns pela comemoração do dia 07 de Abril – Dia do Jornalista, sem esquecer de ressaltar  o apoio fundamental das instituições ligadas à Magistratura, os órgãos investigadores da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das frases pontuais e marcante da Ministra Cármen Lúcia, da mais alta Corte deste país, por ocasião do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, realizado em Brasília, em 04 de Maio de 2015, “Não há democracia sem imprensa livre, e não há imprensa livre sem democracia”, merece uma profunda reflexão das autoridades, no momento em que o jornalismo (especialmente o investigativo), se eleva ao patamar da mais perigosa profissão em exercício.
Está a caminho o 8º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, e considero, enquanto um eterno aprendiz, um momento de rara oportunidade para que seja feito um balanço sobre as condições mínimas necessárias ao desempenho do profissional pela causa do bom jornalismo.

Texto: 20/03/2016