Cantar é mover o dom do fundo de uma paixão. É o que diz Djavan, em “Seduzir”. A letra pode emocionar muitos ouvintes, mas faz um sentido especial para a cantora Chris Carvalho, que além do talento, sabe seduzir, como ninguém, os ouvidos apurados para uma música de qualidade – atributos de uma carreira de sucesso, como a que ela adquiriu nos EUA, conforme conta nesta entrevista ao Mania de Saúde. Confira.
Mania de Saúde – Como você descobriu que gostava de cantar? 
Chris Carvalho –
Na verdade, não foi algo que descobri. Não lembro bem, só sei que, desde muito pequena, costumava ficar em frente ao espelho, com uma escova de cabelo na mão, como qualquer criança, brincando de cantar. A única diferença é que, de fato, era notório que desde sempre. Realmente eu sabia. 
Mania de Saúde – Quais são as suas principais influências como artista? 
Chris Carvalho –
Essa é uma pergunta muito complicada. Minhas influências acabam sendo sempre muito passageiras, nunca definitivas. Quando era bem novinha, comecei cantando gospel em Nova York. Então naturalmente ouvia as grandes cantoras do gospel americano, como Aretha Franklin, Etta James, Billie Holiday. E depois as cantoras mais novas como Whitney Houston, Tina Turner, Mariah Carey. Todas começaram no gospel e depois partiram para o secular. Enfim, era isso que eu ouvia quando comecei. Hoje escuto de tudo, e quando digo tudo, é tudo mesmo! (Risos)                        
Mania de Saúde – Como foi a sua experiência no exterior? 
Chris Carvalho –
Olha, musicalmente falando, me fez ser quem eu sou, ter certeza do que eu era. Lá subi no palco pela primeira vez, ganhei meu primeiro instrumento, um piano, vi música de verdade, música latente, aquela que está em toda parte, e você não tem como fugir (não que eu quisesse, óbvio). Nova York é muito musical. Das músicas tocadas por moedas nos metrôs aos grandes concertos de Juilliard (Escola de Música), na primavera linda do Central Park. Enfim, é transcendental. Como disseram uma vez, “sem música a vida seria um erro”. Lá você tem certeza disso, e como tem!          
Mania de Saúde – Como você avalia a sua participação no programa “Astros”? 
Chris Carvalho –
É difícil fazer uma avaliação de nós mesmos, principalmente para mim, que sou muito autocrítica, e também crítica com tudo em relação à música. Música para mim é uma religião. Estou sempre buscando a perfeição, o que me torna para sempre uma pessoa sem muita paz, afinal, a perfeição não existe. Mas, resumindo, fiquei em segundo lugar e, se voltasse no tempo, ficaria de novo, porque eu poderia ter cantado Whitney Houston, por exemplo, mostrando toda a minha extensão vocal, brincando com a voz e tudo mais. Mas eu pensei: “quero cantar a minha música”. Cantei e cantaria de novo. Então, provavelmente, não venceria novamente, mas me sinto uma vencedora, passei por uma triagem de mais de 150 mil pessoas no Sambódromo do Rio, fiquei entre 10 cantores, cantei minha composição e fiquei em segundo lugar. Mesmo para mim, que estou sempre insatisfeita por não alcançar a perfeição, acho que foi perfeito, foi como tinha de ser.
Mania de Saúde – Quais são os desafios da sua carreira daqui em diante? 
Chris Carvalho –
Os meus desafios são os mesmos de todos os meus amigos músicos.  E, para ser honesta, é o desafio de todos, inclusive quem estiver lendo esta entrevista. Nosso desafio é continuar fazendo música boa no nosso país, mundialmente conhecido musicalmente pela majestosa bossa-nova. O meu desafio é fazer a música boa se recuperar deste momento agonizante do país, dar oportunidade aos filhos deste solo, mãe gentil, conhecer a música de verdade da nossa pátria amada, Brasil.                        
Mania de Saúde – Deixe uma dica para aquelas pessoas que amam a música e desejam seguir esta carreira.                        
Chris Carvalho –
A minha dica é a mais clichê possível, mas é a mais terna e pura verdade, que posso dizer: faça com a alma. Se tive de ser, será. Como diz uma composição minha: Maktub, está escrito.

Texto produzido em: 20/03/2017