Que o trânsito, em todas áreas urbanas, está uma loucura não é novidade e nem segredo para ninguém, principalmente nas cidades com mais de 100 mil habitantes consideradas polos geoeconômicos estratégicos da importância de Campos e Macaé, no Norte Fluminense, e de Itaperuna, no Noroeste Fluminense.
Parece que, nesta selva de pedra, todos são predadores do tempo e do espaço conquistado sem o mínimo de respeito às leis que regem o Código Nacional de Trânsito e a gentileza que promove melhor conexão entre semelhantes.
E foi nesta desordem absoluta que vivi a minha primeira e maior experiência, quando fui socorrido pelo Resgate Médico, comandado pela médica Dra. Adriana Helena Azevedo e composta do enfermeiro Alex Anderson e do motorista Jenivaldo “Barrichello”, para a UTI do Hospital da Unimed, em Campos.
O que se passou a partir do momento do resgate foi digno de uma etapa do Rali Paris/Dakar, no trecho das dunas do deserto africano.
Solicitado pela Dra. Adriana a deixar um acesso venoso para que fossem ministrados medicamentos em minhas sofridas veias (ou seria mais apropriado chamá-las de véias?), o enfermeiro Alex sacou uma seringa ante os meus olhos atônitos e castigados por uma septuagenária miopia que não me deixava identificar que tipo e calibre de agulha armava aquela peça, uma das mais usadas do arsenal médico.
Enquanto Jenivaldo, o “Barrichello”, tentava, aos trancos solavancos e arrancos, baixar o tempo recorde da pista, desviando de buracos e dos “barbeiros e murrinhas” de plantão, eu continuava sem saber o que balançava na extremidade daquela seringa. Seria um míssil desgovernado ou um mosquito da dengue bêbado?
Cheguei a pensar que estava surtando diante daquele quadro, quando vi o enfermeiro Alex ficar em pé à minha frente, com a determinação de um bombeiro militar e ato contínuo cravar em um único golpe, a agulha em minha veia para, em seguida, complementar o trabalho, manuseando, sozinho, gases e esparadrapo para dar proteção àquele acesso.  
Minutos depois eu dei entrada na UTI do Hospital da Unimed Campos, aos cuidados do Dr. Márcio Flor, quando pude entender melhor a importância de uma Remoção de Emergência bem-sucedida, para que vidas sejam salvas em maior número e com menores sequelas. 

Texto produzido em: 20/04/2016