A psicóloga Camila Manhães

No dia 17 deste mês, celebra-se o Dia Internacional contra a Homofobia. Em um momento em que o país inteiro discute a questão o Mania de Saúde conversou com a psicóloga Camila Manhães do Espaço Psi sobre uma delicada questão: Como os pais devem reagir quando os filhos contam que sentem atração por pessoas do mesmo sexo? Segundo a psicóloga é preciso antes de tudo um diálogo franco e aberto sobre o assunto: “Existe um primeiro movimento de resistência na maioria dos pais. Não aceitam, não querem entender, acham que é algum tipo de problema ligado a outras questões. O homossexual tem um primeiro desafio que é se aceitar. Quando ele consegue atravessar essa ponte, vai para uma segunda fase que é a da aceitação social da sua orientação sexual. O diálogo é fundamental para qualquer relação social e neste caso, mais ainda. É importante destacar que quando a pessoa consegue verbalizar que sente atração por pessoas do mesmo sexo, ela já passou por muitos momentos de crises de aceitação desse fato. Ela luta de várias formas para que aquilo não seja verdade, algumas pessoas buscam a religião como uma fuga. Geralmente são jovens que procuram ter uma vida fora do ambiente familiar, querem estudar fora, ter uma vida independente porque quanto mais intimidade familiar, maiores são as chances de recriminação. Nesta fase de aceitação, há uma tendência muito grande dos homossexuais andarem em uma espécie de gueto, porque eles sentem a segurança de que ali eles não serão discriminados”, afirma. 

A psicóloga ainda acredita que os veículos de comunicação tiveram um papel importante ao tornar a homossexualidade um assunto do dia a dia: “Isso acaba dando uma liberdade maior para as pessoas se expressarem. Claro que é um assunto polêmico, algumas pessoas não concordam, outras defendem. Mas uma coisa que eu acho que é fundamental nós pensarmos é que independente da orientação sexual existe ali uma pessoa que deve respeitada na sua singularidade, como ser humano. É alguém que sente, sofre, ri, chora como qualquer outro. Não se pode resumir uma pessoa pela forma com que ela se relaciona sexualmente. Ela é muito mais do que isso. É um ser completo com todas as suas questões. E isso deve ser percebido principalmente pelos pais, porque existem homossexuais desde sempre, só que antigamente era uma questão mais velada. Quantas pessoas viveram em casamentos infelizes por não se aceitarem como são ou temerem a reação das pessoas? Então nós sugerimos que os pais se submetam a um processo psicoterápico porque a primeira postura é a de rejeitar a ideia. Todos precisam aprender a lidar com isso, pais, irmãos e o próprio homossexual, que vai precisar dessa segurança. Aqui no consultório, quando a gente trata um pai de homossexual, a ideia central é fazê-lo entender que existe um fato e ele vai ter que lidar com isso. E se isso for feito com afeto, com amor, de forma tranquila, será menos doloroso para ambas as partes. O objetivo da psicoterapia é levar qualidade de vida para essa família”.

Texto produzido em: 15/04/2015