A população brasileira já percebeu que o mosquito aedes aegypti está por toda a parte. As doenças transmitidas por ele também. Depois dos surtos de dengue e zika vírus que ainda persistem em vários pontos do país, a febre chikungunya virou protagonista no campo das viroses, tornando-se um dos maiores desafios da medicina brasileira nos últimos tempos. Afinal, os efeitos da doença ainda são bastante estudados e vem provocando quadros bastante complexos nas articulações, exigindo um bom acompanhamento do médico reumatologista.
Para abordar o assunto, o Mania de Saúde entrevistou o Dr. Luiz Clóvis Bittencourt Guimarães, médico reumatologista e professor de reumatologia da Faculdade de Medicina de Campos (FMC). Ele confirma que a doença é um verdadeiro desafio para a saúde atual e alerta para a necessidade de um diagnóstico bastante apurado para evitar ou minimizar os efeitos nas articulações.
“A febre chikungunya é muito nova na literatura. Estamos passando a viver esse problema agora. Por isso precisamos alertar o público da melhor maneira possível”, conta o médico. “A doença é uma arbovirose, causada pelo vírus chikungunya, transmitido pelo mosquito aedes aegypti. Os sintomas aparecem de 5 a 12 dias após a picada do mosquito. O nome chikungunya deriva da palavra ‘Makonde’, da Tanzânia, que significa: ‘aqueles que se dobram’, devido às dores nas articulações. Nas fases iniciais da doença, ela se parece muito com viroses como a dengue e a zika (veja quadro abaixo). O quadro clínico inicial lembra muito essas doenças, pois há febre, astenia, prostração, dores no corpo etc. Porém o que chama atenção na febre chikungunya é um acometimento articular bastante severo em cerca de 90% dos casos, que pode ir desde formas mais leves da doença até sintomas muito agressivos nas articulações ou até mesmo evoluir para cronicidade. É importante ressaltar que a gravidade das manifestações articulares pode estar ligada não só às doenças reumáticas prévias, como osteoartrite, artrite reumatoide, lúpus, diabetes, entre outras, mas também à idade superior a 50 anos. Ou seja: idade e doença prévia podem ser um fator de risco para que a doença manifeste um quadro mais agressivo”, disse.
Conforme acrescenta Dr. Luiz Clóvis, após essa fase aguda, que dura cerca de 30 dias, os pacientes entram numa fase chamada subaguda, que leva mais ou menos três meses – e é nela que o indivíduo manifesta um comportamento articular mais agressivo. “Isso pode evoluir para uma artrite crônica e geralmente os sintomas são poliarticulares. Além das articulações, o paciente pode apresentar bursite, tendinite, fadiga crônica e dores musculares. Nesse período, se o paciente não melhorar, a doença se torna crônica. Antes desse processo, o reumatologista já deve estar participando do tratamento, porque essa fase subaguda, acima de 30 dias, quando bem acompanhada, tem grandes chances de não chegar à fase crônica, em que o comportamento da doença é mais agressivo e o tratamento passa a ser ainda mais especializado. O reumatologista vai fazer uso de remédios que podem variar desde tratamentos com anti-inflamatórios e analgésicos até substâncias mais complexas, como corticoterapia, cloroquina, imunossupressores e, em casos excepcionais, medicamentos imunobiológicos. É necessário, assim, alertar para a importância do diagnóstico diferencial. Mesmo que haja suspeita de chikungunya, o paciente tem que fazer exames clínicos e laboratoriais para diagnosticar reumatismos que podem estar associados”, explicou. 
Para isso, segundo Dr. Luiz Clóvis, existem sorologias específicas para o diagnóstico de chikungunya e é extremamente importante diferenciá-la da dengue. “O doente que tiver dengue não pode ou não deve tomar remédios que serão usados no paciente com chikungunya, pelos riscos de sangramento. Daí a relevância do diagnóstico diferencial, que deve ser feito com exames de sangue específicos para outras doenças reumatológicas de curso crônico. Depois que ele é feito, o paciente deve ter acompanhamento regular com o especialista. Alguns pacientes evoluem de forma complexa. Temos relatos de pacientes com 3 anos de evolução de chikungunya. Isso trouxe uma expectativa muito preocupante para o nosso país. A correta avaliação dos profissionais de saúde para o acompanhamento reumatológico é fundamental, porque as sequelas que podem advir da doença sem tratamento adequado são realmente graves. Quanto antes evitá-las, melhor”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto produzido em: 25/04/2016