A minha crônica publicada no mês passado aqui no Mania de Saúde, tem suscitado debates nas rodas boêmias das noites campistas. Segundo soube, biriteiros de direita e de esquerda quase se engalfinharam por causa do meu texto. O que, aliás, me deixou altamente feliz. Afinal, estou sendo lido, ainda que no reduto dos irmãos da opa, da pândega, da folia regados com muito birinaite.
Parece-me, contudo, que na verdade não me leram, mas me tresleram a tal ponto, que foram além da leitura às avessas, pois chegaram à leitura errada em sua plenitude. Tanto assim, que uma jovem ao passar por mim, na Rua do Homem em Pé, como se dizia antigamente, agarrou-me pelo braço para me dizer que um dos seus irmãos afirmou que eu não gostava dos norte-americanos e se isso era verdade. E se de fato afirmei num texto de jornal que um tenente americano seduziu uma japonesinha de 15 anos e a levou ao suicídio por ter dela tirado o filho decorrente da relação amorosa que os envolveu. 
Tive assim que lhe explicar que o meu objetivo na crônica não foi criticar os norte-americanos, mas a violência do homem contra a mulher, atingindo inclusive os seus mais nobres sentimentos. E que o tenente da Marinha dos Estados Unidos Pinkerton, que seduziu a japonesinha Cio, Cio San, é um personagem do romance “Madame Crysantême” do aplaudido escritor francês Pierre Loti. Criação literária levada aos palcos dos Estados Unidos por dois norte-americanos tidos como patriotas, que transformaram o romance em notável peça teatral a encantar os ianques. Enfim, John Long e David Belasco foram os autores estadunidenses do sucesso teatral que Giacomo Puccini imortalizou com a ópera “Madame Butterfly”.
É evidente que, mesmo sendo um cristão com altos e baixos, amo os nossos irmãos norte-americanos, ingleses, franceses, espanhóis, argentinos, italianos, uruguaios, suecos, russos, alemães etc. Apesar do nojo que me despertam figuras demoníacas da qualidade de Trump, Hitler, Lenin, Stalin e de outros demônios, que jamais se preocuparam com a humanidade, pois não pensam em nada que não seja o poder. Não preciso dizer que amo, sobretudo, os brasileiros, sem me esquecer jamais dos portugueses, os nossos ancestrais a ocuparem um lugar destacado no meu coração. Confesso que me esforço para conter o ódio que me despertam os patifes responsáveis pela catástrofe econômica e moral que estamos vivendo.

Texto: 20/06/2017