É só caminhar um pouco entre jovens e adolescentes para percebermos as cabeças curvadas diante da hipnótica tela do celular. Com os olhos fixos, eles parecem muitas vezes estarem sendo sugados pela tela. Ou, por outro ponto de vista, se alimentando dela. O fato é que o jovem está em contato com muito conteúdo visual o dia todo. As redes sociais, embora sejam espaços para debates e comunicação, estão cada vez mais sendo tomadas por fotografias e frases curtas, pouco aprofundadas.
Diante deste quadro, parece tarefa árdua fazer com que as crianças e adolescentes comecem a criar o hábito e o gosto pela leitura. Segundo o professor de Literatura, Floro Rosa Júnior, isso não vem de agora. Mas ele acredita que o grande problema da leitura, atualmente, passa pela questão da compreensão. “O processo de criar o gosto pelo hábito da leitura sempre foi um desafio. Independente de época. Na minha área, eu procuro encaminhar para que o aluno seja capaz de entender um texto complexo, mostrar que existe essa possibilidade. Isso porque, muitas vezes, você pergunta se ele leu e ele responde que sim, mas, ao ser questionado sobre o que compreendeu, acaba titubeando. É aí que está o problema. Por exemplo, pega-se um texto da Clarice Lispector, que é hermético, fechado, complexo e dá para esse aluno ler. Eu fiz esse processo com as minhas turmas, mas com Machado de Assis. Se o aluno lê o texto, mas não consegue compreender o que está ali, estamos diante de um problema. É preciso colocar o aluno contra a parede e dizer que é preciso tomar cuidado com isso. Se na primeira leitura ele não compreende, coloca ele para ler novamente. Se entendeu um pouco mais, faz-se uma terceira leitura. Se aí sim ele consegue compreender, o problema não é analfabetismo funcional e sim preguiça”, afirma o professor.
Ainda segundo Floro, o hábito da leitura vai trazer muitos benefícios para o aluno ao longo da vida. “Creio que quando a pessoa lê alguma coisa e não entende, tem uma frustração muito grande. Por isso acho importante desafiar o aluno com uma leitura de Machado de Assis, por exemplo. Tem gente que argumenta que o aluno deve ler apenas o que ele quer. No entanto, muitas vezes ele está numa idade que ele não sabe o que quer. O professor precisa guiar. Então, para mim, essa questão de criar no jovem o hábito pela leitura passa primeiro pela questão da capacidade de compreender o que está escrito. Depois disto, ele começa a ler porque gosta. E então ele começa a entender e perceber os benefícios que isso traz, não só para sua vida escolar e acadêmica, como para sua vida pessoal, porque nós estamos lendo o tempo todo em nosso dia a dia”, finaliza o professor Floro. 

Texto produzido em: 15/03/2016