Terremoto no Nepal chamou a atenção do mundo inteiro pela forma como destruiu o cenário urbano do lugar

Os terremotos no Nepal, que vitimaram mais de oito mil pessoas, assustou o mundo e reascendeu a discussão sobre o tema. Os recentes tremores fazem parte de um ciclo que aflige o mundo desde 2004 e intriga os cientistas. Naquele ano, um abalo de magnitude 9,1, próximo à Indonésia, provocou um tsunami que deixou mais de 220 mil mortos em países em torno do Oceano Índico. Este abalo sísmico marcou o início de uma sequência de eventos devastadores que sacudiram do Chile ao Japão, gerando questionamentos na sociedade científica.


Geólogo Helio Severiano

Os nove terremotos dos últimos 11 anos intrigam os cientistas. Alguns defendem a tese de que um grande terremoto pode desencadear outros abalos ao redor do mundo, mesmo a enormes distâncias. A hipótese levantada é a de que, num tremor em grande escala, o movimento da crosta terrestre – dividido em placas tectônicas – transmita energia e tensão suficientes para que uma falha em uma placa tectônica distante seja abalada, ocasionando um novo terremoto.

O Mania de Saúde entrou na discussão e foi ouvir o geólogo Helio Severiano, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Em uma “aula” sobre o assunto, ele fez uma introdução ao tema e opinou sobre a discussão da relação entre os terremotos ao redor do mundo. 

“O planeta Terra está dividido em placas tectônicas que se movem umas em relação às outras. Quando duas placas se encontram, elas geram um acúmulo de esforços que acabarão por provocar um abalo sísmico, o terremoto. Estas placas estão em movimentação constante. A placa oceânica, por ser mais densa, entra por baixo da placa continental, no processo conhecido como subducção, formando as montanhas e gerando os grandes terremotos. Em uma zona de subducção, a crosta oceânica acaba derretida pelo calor do interior da Terra e gera vulcões e ilhas, como acontece na Cordilheira dos Andes e no Japão”, comentou o professor, concordando em parte que os grandes terremotos ao redor do mundo podem estar interligados. “Quando acontece um terremoto em grande escala, a tensão dissipada afeta as outras placas. Acredito que os terremotos sejam cíclicos, mas não tenho dados suficientes para afirmar que os terremotos que ocasionaram o tsunami no Japão ou na Indonésia há alguns anos possam estar relacionados aos que aconteceram no Nepal recentemente”.

O professor da Uenf também comentou o tremor de terra de 2,3 graus na escala Richter que ocorreu a oito quilômetros do centro de Campos, entre Ururaí e a Tapera, no final de fevereiro, e que foi registrado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (ISGCA) da Universidade de São Paulo (USP). “Os terremotos no território brasileiro são causados por pequenas acomodações no interior da placa tectônica, associadas a grandes falhas no fundo do Oceano Atlântico, denominadas falhas transformantes”, afirmou Severiano, utilizando uma metáfora para comparar os terremotos que acontecem no mundo com os ocorridos no Brasil. “Pense em um caminhão de mudança em movimento. Os objetos balançam, se atritam uns aos outros, mas não geram danos, como um terremoto no Brasil. Em áreas de risco (regiões de colisão de placas tectônicas), este caminhão colide frontalmente e toda carga desmorona”.

Texto produzido em: 20/05/2015