Psicólogos costumam presenciar, no cotidiano da clínica, um desconhecimento teórico, uma generalização, uma influência do senso comum, em pessoas que classificam os medos comuns em fobias, por serem conceitos relativamente semelhantes. É importante deixar bem claro a diferença entre os dois. 
Para esclarecer esses pontos, conversamos com a psicóloga Valéria Ramos, que nos deu algumas informações importantes sobres estas distinções. “Medo é algo presente na natureza humana. Necessitamos dele para nos protegermos de situações de risco, é saudável ter medo, visando nossa autopreservação. Já a Fobia, é um sentimento que nos paralisa, nos impossibilita, que provoca muita angústia, algo irracional e desproporcional. As síndromes fóbicas são caracterizadas por medos e angústias intensos e irracionais, por alguma situação, animais ou objetos que não oferecem perigo real, proporcional ao tal medo. Poderia citar algumas síndromes fóbicas, lançado mão da psicopatologia das mais importantes ou mais comuns; como a agorafobia, caracterizada por um medo de espaços amplos ou com muitas pessoas, dando a ele uma impossibilidade de escapar, caso haja alguma situação de risco, onde não poderiam ter o auxílio de pessoas próximas. Geralmente os agorafóbicos têm crises de medo e angústia em congestionamento, ponte, túnel, ônibus, aviões, estádios de futebol, cinema, teatro, enfim, em meio à multidão. Esse medo de grandes espaços o restringe à sua casa e a ambientes familiares, buscando uma segurança”, exemplificou Valéria. 
A psicóloga prossegue com a explicação. “Há ainda a fobia simples ou específica, também caracterizada por medo intenso, persistente, irracional, como medo de animais, de injeção de sangue. Quando expostos à presença do animal, desencadeia uma crise de angústia e até mesmo de pânico. Esses pacientes na maioria das vezes reconhecem o caráter irracional dos seus medos, mas não conseguem evitar tais reações exageradas. E, por fim, a fobia social, a que mais gera demanda em nossos consultórios. O indivíduo acometido do mesmo intenso medo e angústia quando em situações sociais, do qual ele tem que ser expor, ao contato interpessoal, de cobranças de seu desempenho, dentre competições. Esse assombroso medo paralisante de falar em público, de apresentar trabalhos acadêmicos, faz com que muitas pessoas evitem tais exposições e desistam de um novo emprego, uma vida acadêmica promissora, novas perspectivas em sua vida profissional”.
Finalmente, Valéria Ramos faz um alerta às famílias que convivem com indivíduos que sofrem com fobias. “Que procurem orientação psicológica. A nós, profissionais da área da saúde, atentarmos com mais cautela, sem pressa em apresentar um diagnóstico. Importante trabalharmos juntos, a família, a medicina. A medicina com respaldo medicamentoso. Em alguns casos se torna necessário, para amenizar tais sintomas desconfortáveis. Sintomas esses desagradáveis, que se tornam um obstáculo nos procedimentos psicológicos. O paciente quer uma melhora rápida e nem sempre é assim que funciona. Temos que respeitar as estruturas subjetivas. Meu trabalho é voltado para a interpretação dos conteúdos inconscientes que envolvem esses sintomas. Fazendo uma escuta minuciosa, identificando qual relação esse paciente tem com seu sintoma, ouvir suas lembranças, suas fantasias, seus conflitos inconscientes. A partir daí as intervenções serão feitas e consequentemente através da linguagem, nosso mais rico material de trabalho, chegaremos à ‘decifração dessa mensagem cifrada’ dos sintomas. E ao objetivo maior, o alívio dos desconfortos que eles provocam. Deixando claro que esse processo leva tempo, mas pode proporcionar cura dos sintomas fóbicos”, conclui.

Texto produzido em: 19/02/2016