As futuras mamães hoje têm uma série de instrumentos na área da saúde que podem facilitar a sua vida tanto antes, quanto durante e depois da gestação. Entre eles, está a fisioterapia pélvica, que além de facilitar o momento do parto, pode prevenir problemas posteriores. É o que nos explica a especialista no assunto, a fisioterapeuta Ana Cecília Lelis. 
Ela conta que o trabalho pode ser feito tanto por quem deseja um parto normal, quanto por quem opta pela cesárea, trazendo benefícios em ambos os casos. “A partir da décima segunda semana, se a gestante não tiver nenhuma contraindicação médica, ela pode tranquilamente fazer a fisioterapia pélvica, que vai prepará-la para o parto, tanto o normal quanto a cesárea. O que determina o tipo de parto que a gestante vai ter é a fisiologia da paciente. A gente trabalha em cima do desejo da mulher e do que o médico recomenda. Muitas vezes, a paciente deseja muito um parto humanizado, mas a sua fisiologia não é apropriada para isso, seja por ela não ter uma bacia com um encaixe natural, seja por não apresentar uma descarga hormonal suficiente na véspera do parto. Em contrapartida, outras gestantes não querem o parto normal, mas ele acaba acontecendo naturalmente. O que a gente trabalha é a fisiologia da paciente grávida, respeitando cada etapa da sua gestação e colocando os pais em sintonia com o bebê. O objetivo é preparar aquela pelve para uma gestação. Se a mãe vier a ter uma cesárea, ela terá uma excelente recuperação, uma prevenção de problemas futuros no assoalho pélvico, evitando as incontinências urinárias e as distensões dessa região. Tudo isso é possível evitar realizando um trabalho de respiração, de conscientização. Já para aquelas futuras mamães que decidem pelo parto normal, trabalhamos as posições, o desenvolvimento de bacia, a parte respiratória, o pré e pós contração. A fisioterapia vem auxiliar tudo isso, principalmente na questão muscular, evitando problemas futuros”.
Ana Cecília comenta ainda que a fisioterapia pélvica ajuda também no pós-parto. “A gente atua antes da gestação, durante (na décima terceira semana) e após. Por exemplo, se a mulher tem problema de incontinência, aderências, endometriose ou fissuras, ou até mesmo as dores, a fisioterapia pode ajudar muito. Acontece também de, após o parto, a mulher ter algumas disfunções sexuais por questões hormonais, como as dores na hora da penetração, alguns ressecamentos vaginais, que é comum acontecer por causa da ocitocina, que cessa após o parto e vem a prolactina, que é a ação do hormônio produtor do leite. Esses hormônios são antagônicos ao estrogênio e à progesterona. E quando a mulher vai ter a relação sexual, ela está com a libido diminuída e a penetração se torna mais dolorosa, a vagina fica mais contraída, a musculatura fica dolorida. Então, ela acaba nos procurando mesmo sem saber exatamente o que está acontecendo com o seu corpo. E nós vamos trabalhando essa musculatura do assoalho pélvico, estimulando a circulação sanguínea, melhorando o aporte de oxigênio local, usando a radiofrequência. Vamos dando outras ferramentas para despertar o estímulo naquela área, evitando uma disfunção mais severa futuramente”.
A fisioterapeuta explica também que a paciente pode procurar ajuda da fisioterapia pélvica por demanda espontânea. “Ela não precisa vir necessariamente encaminhada por um médico, embora eu receba bastante pacientes direcionadas por médicos, mas não é uma obrigatoriedade. Faço primeiramente uma avaliação fisioterapêutica detalhada, investigo a queixa principal da paciente, levanto o histórico dela e, após o diagnóstico, já começo o tratamento com sessões semanais que variam de uma a duas. Não ultrapasso isso, porque se trata de um conjunto de músculos pequenos que se fadigam e precisam de tempo de repouso”, alertou. 
Informações complementares poderão ser obtidas através do telefone (22) 99987-3731.


Texto produzido em 17/07/2019