Bem me lembro ainda estudante nos idos finais dos anos 90, durante uma greve em minha querida Universidade Federal de Minas Gerais, de procurar sem qualquer conhecimento e sem nenhuma indicação o diretor do Jornal Mania de Saúde para oferecer meus serviços como aspirante a cartunista e chargista. 
Logo na chegada deparei-me com um sujeito vistoso, sério, bem vestido, se não me engano com uma calça jeans e uma camisa listrada de azul e branco, de fala inteligente, pausada e pensada. No decorrer da conversa fui mostrando meu portfólio e minhas reais intenções naquele momento, rapidamente a empatia foi mútua e sua espiritualidade e simpatia reinaram com risadas gostosas e muito senso de humor. Naquele dia além de aceitar publicar minhas tirinhas, também me convidou para escrever crônicas mensais, o que faço até os dias de hoje.
Lembrar desses momentos, muito me emociona, pois Sylvio Muniz sempre me foi muito solícito e generoso. Poucos sabem dele ser merecedor do título de Mecenas, afinal sempre esteve ao meu lado em todos os meus vernissages e eventos culturais e artísticos, patrocinando, divulgando, sendo parceiro comercial e acima de tudo admirador, sempre a cada evento adquirindo minhas obras para sua coleção particular. Compartilhando sempre com alegria minha trajetória profissional.
Acredito que sua ausência é irreparável para a sociedade campista como um todo, considerando seu compromisso com uma comunicação autêntica e seu pensamento inovador e empreendedor. Resta apenas registrar o agradecimento formal a esta grande figura, por todas as oportunidades concedidas, fica a saudade...     

Texto: 20/05/2016