Podemos definir “ética” como um juízo de apreciação referente a conduta humana passível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativo à sociedade, seja de modo amplo e absoluto. Muitos elementos e modus operandis poderão integrar uma avaliação de “comportamento ético”. Mas aqui não quero me ater a um todo e sim, exclusivamente, a um ponto que tenho notado com frequência no mundo forense, que é um certo comportamento do profissional de direito.
Tenho observado que, de forma extremamente comum, o advogado de uma das partes, principalmente os mais jovens, olha para o causídico que patrocina os interesses da outra parte como um inimigo, como alguém evitável e por quem se deve nutrir uma mescla de asco e rancor, esquecendo-se de princípios fundamentais de convivência humana e até de norma constitucional.
Digo assim porque tal comportamento não merece aplausos e nem se coaduna com as normas éticas da profissão. Quem se comporta deste modo está esquecendo que o profissional que está ao lado da outra parte é um advogado(a) tal qual ele, que ali está exercendo de forma digna a mesma profissão, buscando o sustento dos seus e, mais ainda, mantendo vivo o direito constitucional da “ampla defesa” e do “contraditório”, pilar da própria advocacia e que, caso inexistisse, daria fim à nossa profissão.
Os advogados mais novos precisam entender que o advogado da outra parte não é seu adversário e nem integra a lide posta a apreciação do Judiciário e, ainda como um plus, que o Julgador apreciará só argumentos, avaliando-os frente as normas legais e não ofensas, bravatas ou intolerância entre os representantes das partes. Precisam entender que o embate entre eles, advogados, só vai se dar no campo das ideias, argumentos e conhecimentos técnicos, nunca de forma pessoal. Até porque a passionalidade embota o raciocínio lógico e prejudica, sensivelmente, a atuação de qualquer um.
Já estive envolvido em lides vultosas, complexas, tendo como advogado da outra parte colegas talentosos, aguerridos, sem que nunca tivéssemos um atrito ou uma palavra agressiva sequer. Ao contrário, quanto mais argumentativo e talentoso o outro profissional, mais eu me elevo, pois me obriga a aprimorar-me e a tentar superá-lo em teses e técnica.
Como o espaço não me permite maiores alongamentos fico por aqui. Mas conclamo a todos da classe forense a lembrarem-se das aulas de ética e comportarem-se como profissionais de Direito e não como meros entes passionais.