O médico gastroenterologista Dr. Roberto Costa

 

O mundo moderno possui muitos males de saúde. Mas nenhum deles preocupa mais a classe médica do que a obesidade. O número de doenças que podem surgir devido ao acúmulo de peso é assustador. Ainda mais num tempo em que tantas pessoas são sedentárias, alimentam-se inadequadamente e insistem em péssimos hábitos de vida, como o abuso de bebidas alcoólicas. A preocupação, nesses casos, não passa apenas por patologias como o diabetes e a hipertensão. Muitos outros problemas podem surgir com o sobrepeso e de forma bastante silenciosa. É o que acontece, por exemplo, com quem sofre de Esteatose Hepática.
Segundo definição do Hospital Sírio-Libanês, a Esteatose Hepática é o acúmulo de gordura nas células do fígado. Ela pode ser dividida em doença gordurosa alcoólica (quando há abuso de bebida alcoólica) ou doença gordurosa não alcoólica, quando não existe história de ingestão significativa dessas bebidas. Mas, tanto em um caso quanto em outro, a falta de sintomas evidentes pode fazer com que a doença chegue a estágios avançados, tornando essencial o cuidado preventivo.
O médico gastroenterologista Dr. Roberto Costa convive diariamente com essa realidade. O movimento em seu consultório, hoje, registra um alto número de pessoas com Esteatose Hepática. “Esta entidade hepática reflete, de certa forma, a evolução da humanidade no que diz respeito a seus hábitos alimentares e comportamentais. De 20 a 40% na dependência de obesidade desenvolvem Esteatose Hepática. Nunca se deu tanta ênfase a este quadro pela história natural da Esteatose Hepática Alcoólica e Não Alcoólica, as quais desenvolvem mesmo padrão de progressão. Ou seja: acúmulo de lipídios no fígado – Esteatose Hepática – Esteato Hepatite – Fibrose – Cirrose – Câncer. Isso mostra que a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é um problema de saúde pública. Um estudo recente, realizado nos Estados Unidos, com 328 pacientes assintomáticos, relatou que 46% dos indivíduos tinham esteatose. 26% eram diabéticos, 68% hipertensos e 70% obesos”, alertou o médico.
A quantidade de pessoas com esses maus hábitos, segundo Dr. Roberto Costa, coloca em evidência a chamada síndrome metabólica, que é um distúrbio caracterizado por obesidade, hiperlipidemia, resistência à insulina e hipertensão arterial. “Se não combatido, os males só vão avançando. 30% da Esteatose Hepática Não Alcoólica evolui para Esteato Hepatite. 30-40% da Esteato Hepatite evolui para Fibrose. Desses, 5% vão evoluir para Cirrose e Câncer. O problema é grave”, frisou.
    Os riscos para ter Esteatose Hepática são: obesidade, diabetes tipo II, sexo masculino, antecedentes familiares, predisposição genética, tabagismo, sobrecarga de ferro e hepatite crônica. O diagnóstico, segundo Dr. Roberto, é laboratorial, com dosagem de funções hepáticas, marcadores virais e dosagem de ferro, sendo que acurácia do diagnóstico é pelo IMC, triglicerídeos e circunferência abdominal. Por isso, é importante que os pacientes que apresentem esses hábitos de vida ou os fatores de risco se atentem para acompanhar a saúde com o médico especialista e, assim, garantir uma melhor qualidade de vida. Não arrisque: procure o profissional da área e se informe!

 

Texto produzido em: 02/12/2015