As psicólogas Ana Beatriz Abreu e Ellen Nogueira, do Espaço Psi

Psicólogas dão dicas de como os pais podem se comportar melhor em relação à educação dos filhos.

A rotina está consumindo cada vez mais o tempo das pessoas. Todo mundo tem a sensação que os dias estão passando mais depressa e então como administrar bem os minutos cada vez mais escassos? É um desafio ainda maior para quem tem filhos. Nossa reportagem conversou com as psicólogas Ana Beatriz Abreu e Ellen Nogueira, do Espaço Psi, e, de acordo com elas, o perigo de se terceirizar a educação dos filhos é enorme. “A gente procura conscientizar os pais que se eles não estiverem voltados para os filhos, a gente não consegue um bom resultado. Se nós fizermos a nossa parte aqui e eles em casa não fizerem a deles, de nada vai adiantar, porque a criança precisa da disciplina, de limites. A gente percebe que muitos pais hoje estão terceirizando a responsabilidade que é deles. Transferem-na para o terapeuta, para a escola, para a igreja. Educar é algo muito complexo e o primeiro grupo social que a criança participa é a família, então, é ali que ela tem que se sentir segura, acolhida. E hoje a gente vê que as crianças são muito privadas do afeto da família. Elas têm uma energia muito grande e essa energia precisa ser bem canalizada, na questão do limite. E muitas vezes elas não conhecem esse limite e os pais não passam, porque eles também não têm. Até a questão de ter uma vida saudável, praticar esportes, a gente vê que as crianças seguem o modelo dos pais, que hoje em dia querem aquilo que é mais prático. Só que educar não envolve praticidade. Educar dá trabalho. Os pais precisam aprender a lidar com o seu tempo, porque senão acabam se propondo a fazer muitas coisas e não dando conta de fazer tudo. E geralmente o que fica para trás nessa lista é a educação dos filhos”, afirma Ana Beatriz.

Para a psicóloga Ellen Nogueira, a tecnologia deve ser usada com parcimônia e os pais precisam saber que têm que passar mais tempo com os filhos: “O tempo que sobra para as crianças muitas vezes é mal-aproveitado. Se eu tenho um dia de folga, preciso aproveitá-lo ao máximo para dar atenção aos filhos. Quando os pais chegam aqui com a criança, eles vêm também em busca de um auxílio psicoterápico para eles mesmos. Quando a criança chega com algum problema, a família toda já foi atingida. Ela sinaliza alguma falta de estrutura ali. E hoje as crianças estão entregues aos eletrônicos, sendo privadas do diálogo, da atenção de um ser humano. Até dentro das escolas, elas não conversam mais, não brincam juntas. Os pais se queixam disso, dos filhos só ficarem no computador ou no tablet, mas o que será que levou a esse quadro? Será que a criança ou adolescente está tendo a atenção que precisa? Existe uma lacuna ali que está em aberto, então, o filho prefere conversar com alguém, mesmo que essa pessoa não esteja perto fisicamente, mas está interagindo com ele. A tecnologia tem prós e contras, é preciso que os pais ajudem aos filhos a usarem de forma saudável”. 

Texto produzido em: 24/02/2015