Durante a prática diária, o principal questionamento quanto ao câncer é quanto à dieta. São todos os tipos de perguntas, tipo: “Doutor, açúcar faz o câncer crescer?”; “Doutor, que tipo de comida ajuda meu tratamento”; “Foi alguma coisa que eu comi, que me deu câncer?”; até o “Doutor, pode comer remoso?”.
Finalmente decidi conversar em massa sobre isso. 
Vamos organizar, primeiro falaremos sobre alimentos que são os mocinhos, os protetores. As evidências estatísticas não são fortes, pois precisamos de uma dieta variada para sobreviver, mas uma dieta com base de vegetais frescos é fator protetor contra o câncer. Ou seja, frutas, sucos, folhas, e saladas, quanto mais colorido melhor. A cor é saúde! Dietas ricas em carotenóides (o tom alaranjado da cenoura) estão associadas à redução da incidência de câncer, especialmente o de pulmão em não fumantes. A Vitamina C presente em frutas cítricas, é um clássico. A vitamina C é um poderoso antioxidante que ajuda na preservação do DNA nativo. Assim como a Vitamina A e E, a Vitamina C reduz o risco de câncer de colo uterino. O uso de Cereais integrais, ou seja, ainda com todas as suas fibras naturais, é fator protetor contra o tumor de intestino grosso, além de prevenir outras doenças benignas desse órgão. 
Alimentos orgânicos são alimentos cultivados de maneira natural, sem adição de fatores de crescimento ou agrotóxicos, geralmente associados à agricultura sustentável. Fazem bem a tudo e a todos! Fazem bem ao planeta e a nós, principalmente por não utilizarem agrotóxicos. Além de ecologicamente corretos, deixamos de ingerir milhares de substâncias nocivas, como pesticidas e metais pesados. Que são promotores de inúmeras doenças, inclusive o câncer.
Aproveitando isso, entramos no grupo dos vilões. O carro-chefe desse grupo são as carnes processadas, rica em conservantes, com doses de sal altíssimas e acidulantes. Essas, junto com os alimentos defumados, são promotores conhecidos de tumores do aparelho digestivo, principalmente esôfago e estômago. 
Reservo um espaço para as lendas, mitos que pessoas mal intencionadas implantam na mente de pacientes oncológicos. O mito mais atual é que o açúcar faz os tumores crescerem. Quando pensamos em açúcar, pensamos em glicose, que é o produto final do processamento dos açúcares, pelo nosso corpo; ela é o produto final, porque na máquina do metabolismo das nossas células ela é a gasolina, é o combustível metabólico. Esse combustível é comum a todas as células, boas ou más, independente da nossa vontade. Isso porque, mesmo se nós não consumimos glicose, ela será produzida pelo nosso fígado e músculos, oriunda de outras substâncias. Pois é, mesmo que você não queira, seu corpo vai produzir glicose. De fato, comer muita glicose é maléfico, pois o excesso de glicose se deposita em gorduras, que como já sabemos faz mal a tudo. Outras lendas são fugazes e têm seus mitos originados em alguma substância. Alguns exemplos são o Noni, a acerola e a graviola, ricos em vitaminas C, um excelente antioxidante.
É necessário conversar sobre os pacientes que já possuem um diagnóstico. Essas pessoas terão sua imunidade afetada, pelo tratamento ou pela progressão de doença. Com isso, é bom evitar alguns alimentos, principalmente os de baixo processamento sanitário, ou seja, alimentos que possam ser veículos de uma infecção oportunista; como derivados do leite não pasteurizados, saladas com derivados de ovos mal cozidos, alimentos processados em locais impróprios.
Além de tudo isso, devemos lembrar que o sobrepeso e principalmente a obesidade é fator promotor de câncer e outras doenças. A orientação básica do sistema americano de saúde pública é uma dieta cujo dois terços seja de vegetais, um terço divido entre cereais integrais e carnes, com escapes eventuais da dieta. O equilíbrio é o melhor caminho, pois ficar sem comer o que gosta, desde que seja de maneira regrada, faz mal para a alma. Remoso é não ter o equilíbrio.