“Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizeres”
 - Voltaire

As vinte e cinco edições anuais em que o nosso jornal homenageia os profissionais da saúde e educação, a cada mês de Outubro, nos deram uma extraordinária experiência, notadamente junto à classe médica, responsável pela iniciativa do projeto, de tantos anos, com o formato de “Edição Especial Dia do Médico”, hoje incorporado à edição do mês de Outubro, mas ampliado pela participação, cada vez maior, no nosso jornal online.
A logística da distribuição dessa edição especial consistia na distribuição maciça, que começava nas noites do dia 17 de Outubro (de Cabo Frio até às cidades da região Noroeste Fluminense), terminando no dia 18, quando se comemorava a data, nos plantões de todos os hospitais e emergências médicas, além da presença nos clubes locais onde o festejo do dia se traduzia em encontros memoráveis, com churrascos em clima de muita confraternização, após criteriosa pré-adaptação nas agendas de cada profissional.
Junto ao trabalho de distribuição, os repórteres apuravam em enquete os anseios da classe e uma pergunta sempre foi repetitiva para todos: o que os médicos gostariam de ganhar de presente no seu Dia? Ano, após ano, ouvi a mesma resposta de todos eles. “Reconhecimento e Dignidade para o exercício da profissão no âmbito público.”
Hoje, vejo com tristeza que o pedido de presente continua o mesmo. E parece, cada vez, mais distante de concretização.
Entristece ver e saber que o mesmo problema de um hospital municipal (com raras exceções), acontece com os médicos que atuam no Hospital de Base de Brasília, há apenas 3.000 metros da Praça dos Três Poderes, e para onde eram levados, até há bem pouco tempo, estadistas da estatura de Tancredo Neves e notáveis membros do nosso Senado quando, misturados ao povo, precisavam de socorro médico emergencial.
Ver um médico surtar diante de uma ordem de prisão dada em pleno exercício de sua profissão, para ressuscitar um cidadão que, por infelicidade, caiu do 15º andar de uma construção, com mais de 40 metros de queda livre, quando já estava atendendo a outra emergência com maior possibilidade de sobrevivência, mesmo para um leigo como eu, é dar a dimensão de surrealismo à falta de bom senso no comando e a falta de vergonha do poder público que não dota as unidades hospitalares, especialmente as emergências, com o número de profissionais compatível com a demanda, além de cortar do magro orçamento da saúde a verba destinada à compra minimamente necessária ao atendimento dos que necessitam. Isso posto, nos colocaria um ponto final nessa história que parece nunca ter fim.
Não queremos mais ouvir médicos aos brados: “Eu quero ir embora. Eu quero sumir.”
Queremos que todos fiquem e possam comemorar o seu Dia com respeito, reconhecimento e dignidade para o exercício dessa nobre profissão. 
Parabéns pelo seu Dia!

 

Texto produzido em: 20/09/2015