A adolescência, por si só, já é um período de grandes mudanças e decisões. O jovem que chega ao terceiro ano do ensino médio tem ainda uma importante escolha a fazer: Qual carreira seguir? São muitas as dúvidas. Nossa reportagem conversou com a psicóloga do Colégio Redentor, Ludmyla Silveira, que desenvolve um trabalho de orientação profissional com os alunos. Ela afirma que qualquer processo de escolha pode ser estressante para quem o faz. 
“A escolha profissional passa por muitos condicionantes, que vão desde habilidades e desejos individuais a mercado de trabalho e recompensa financeira, por exemplo. São muitos fatores a serem analisados e, ao mediar todos eles, pode surgir a ansiedade. Naturalmente, o jovem que se depara com um ‘mundo de possibilidades’ e tem o poder de começar a traçar seu próprio caminho, pode se sentir inseguro, incapaz e frustrado. A ideia da Orientação Profissional é justamente fazer com que ele reflita sobre todo esse processo e faça uma escolha o mais consciente possível”, disse. 
A psicóloga comenta, também, qual é o papel dos pais nesse momento. “Sempre digo aos pais que buscam informações sobre este assunto que o melhor caminho é o apoio e o respeito ao desejo do filho. Isso é importante ser falado porque, às vezes, mesmo que involuntariamente, alguns pais tentam realizar os sonhos pessoais através dos filhos, o que se torna uma pressão a mais para a escolha profissional. Durante o processo, também estimulo os alunos a conversarem sobre isso com seus pais. O diálogo franco é sempre um ponto de partida crucial para que estes vínculos entre pais e filhos se fortaleçam. Por ser um momento potencialmente estressante, é importante estar atento ao bem-estar do filho e, caso note modificações comportamentais ou fragilidades emocionais que perdurem por um período de tempo maior, que procure ajuda de um profissional para uma avaliação e acompanhamento”.
O trabalho de Orientação Profissional, segundo ela, acontece em etapas, com encontros semanais em grupo, para alunos da 3ª série do Ensino Médio. “No início, a gente promove atividades e dinâmicas que proporcionam autoconhecimento. Nessa etapa, os alunos são estimulados a olhar mais para si e se perceberem enquanto sujeitos que têm desejos, saberes, aptidões, além de também refletir sobre dificuldades e habilidades a serem desenvolvidas. Posteriormente, levanto demandas acerca das áreas de atuação pretendidas por cada aluno. A partir daí, convido profissionais das referidas áreas para falar sobre elas. Neste momento, os profissionais esclarecem as dúvidas dos alunos e trazem informações sobre essas áreas, apresentando possíveis formas de atuação e informação sobre mercado de trabalho, como remuneração, rotina etc. Estabeleço parcerias com os profissionais a fim de possibilitar um contato prático dos alunos com a profissão, por meio de aulas piloto e visitas a ambientes de estágio ou laboratórios – etapa que integra as atividades do próximo semestre. Se ao final destas etapas o aluno apresentar o desejo de realizar uma avaliação mais específica, o Colégio oferece a possibilidade de aplicação de um teste que avalia seus interesses profissionais”, destaca Ludmyla.
Ela faz, ainda, um alerta para os jovens. “A manutenção da sua saúde mental é mais importante do que qualquer escolha. Por isso, não absorvam o que pode aparecer de negativo. Digo isso porque, apesar de ser o último ano escolar, onde na teoria deve-se traçar um objetivo específico e ‘apostar as fichas’ nele, você não necessariamente estará seguro em relação a esta escolha. E tudo bem se isso acontecer. Assim como esta escolha não precisa ser para sempre. Por isso existe a reorientação profissional, que abarca esta parcela da população que não se identificou com o curso ou profissão escolhidos e resolve recomeçar. Repito o que disse lá em cima: é importante traçar seu objetivo da forma mais consciente possível, pois assim minimiza a possibilidade de insatisfação. Porém, caso isso aconteça, novos caminhos sempre podem ser traçados”. 

Texto produzido em: 20/07/2019