A infertilidade é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores problemas de saúde pública na atualidade. Estima-se, por exemplo, que cerca de 15% dos casais vão apresentar um problema de fertilidade – e, desses, 50% precisarão de tratamento específico para reproduzir. Esses dados revelam o quanto é importante debater a infertilidade para ressaltar, ao público, a maneira mais adequada de lidar com esse problema, que atinge inúmeros casais em todo o mundo.
Para cumprir esse objetivo, o Mania de Saúde entrevistou Dr. Francisco Colucci, médico formado pela Gama Filho, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, com mestrado em Medicina Fetal pela UFRJ e Pós-Graduação em Reprodução Humana Assistida, Embriologia e Genética pela Universidade de Valência, na Espanha, além de Pesquisador Associado dessa mesma universidade e da UFRJ, Professor da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) e Coordenador do Centro de Infertilidade e Medicina Fetal do Norte Fluminense. 
Ele revela, a nossa reportagem, como o diagnóstico da OMS pode ser percebido em nosso próprio meio social. “Para entender o impacto da infertilidade em nossa região, basta observar o levantamento epidemiológico que fizemos aqui, na clínica, tendo como base os índices determinados pela OMS. Foi calculado mais ou menos 1.500 novos casos por ano na área topográfica que abrange o Norte e Noroeste Fluminense e a Região dos Lagos. Ou seja: se 50% desse quantitativo vai precisar de tratamento, como prescreve a OMS, isso significa cerca de 750 casos por ano. A infertilidade se torna, assim, um dos problemas de maior prevalência no mundo de hoje”, diz Dr. Francisco. 
A infertilidade, segundo ele, é caracterizada como a ausência da gestação após um ano de tentativa para mulheres com menos de 35 anos e até seis meses em mulheres com mais de 35. Dr. Francisco explica que, independente da causa básica, a idade do casal e o tempo de tentativa são fatores importantes no momento de eleger um tratamento para fertilidade uma vez constatado. “Sendo assim, um casal cuja idade é de 35 anos e tenta a gestação há 5 anos, deve iniciar com um tratamento mais complexo que outro com 25 anos de idade e 2 anos de tentativa. A idade é o principal fator de prognóstico nos tratamentos”. 
O médico comenta, ainda, o que ocasiona a infertilidade. “Entre as causas passíveis de diagnóstico (+/- 80%), os fatores masculinos respondem por 40%, estando entre eles as alterações de sêmen, próstata, testículo, varizes no testículo, obstrução dos dutos e alterações na ejaculação e na ereção. Já as causas femininas respondem por outros 40%, como a menopausa precoce, problemas ovulatórios e Ovários Policísticos, alterações e obstruções das trompas, endometriose, alterações do útero e do colo uterino. Outros 20% são de causa mista e costumam ser classificados como infertilidade sem causa aparente ou de causa indeterminada. Independente da origem e da causa, ela sempre deve ser abordada como sendo do casal, porque a colaboração de ambos é fundamental”, alertou.
A ausência da gestação, conforme frisa Dr. Francisco, alerta para a necessidade de um estudo detalhado para investigar um possível problema que impeça a gravidez. “Às vezes, o problema é simples e pode ser resolvido no consultório de ginecologia. Entretanto, pesquisas mais detalhadas e, sobretudo, as associações do diagnóstico com as possibilidades de tratamento são mais específicas e complexas e devem ser realizadas em um centro de reprodução humana. Quanto mais cedo a procura, melhores são os resultados dos tratamentos”.