De repente você está andando na rua e, sem ter feito nenhum esforço, sente que o seu coração começou a bater mais rápido. Assusta, não é verdade? No entanto, esta é apenas a forma mais aparente de um problema que, se não for tratado, pode ter consequências sérias: a arritmia cardíaca. 
Nossa reportagem conversou com a médica cardiologista especialista em arritmias cardíacas Dra. Mirelle Cruz Defanti, que tirou todas as nossas dúvidas sobre a doença.
Mania de Saúde – Como poderíamos definir a arritmia e diagnosticá-la?
Dra. Mirelle Defanti –
Como o próprio nome diz, é quando o coração sai do compasso, sai do ritmo. O coração tem um ritmo que varia entre 80 a 100 batidas por minuto. Essa arritmia pode fazer com que o órgão entre em descompasso, aceleração ou lentificação. Muitas arritmias são assintomáticas. O paciente tem o problema, mas não tem a sensação. Quando ele sente, costuma se queixar de palpitação, de sentir o coração acelerando e parando, pode ficar sudoreico ou tonto. Em outros casos, a doença vai ser descoberta através de exames. Por isso é importante destacar a importância de fazer avaliações periódicas. Sem elas, o paciente pode nunca ficar sabendo que tem uma arritmia facilmente tratável.
Mania de Saúde – Existe mais de um tipo de arritmia? O que causa o problema?
Dra. Mirelle Defanti
– Existem vários tipos e cada uma tem a sua peculiaridade, podendo ser mais benigna ou maligna. Isso vai determinar também a forma de tratamento. A causa da doença é multifatorial. Existem as arritmias basicamente genéticas, que o paciente, mesmo sem nenhum fator de risco para a doença, pode vir a desenvolvê-la. Existem ainda outros fatores que contribuem para o problema, como tabagismo, obesidade, infarto e as próprias doenças cardíacas podem levar à arritmia. Tem ainda as arritmias mais características dos idosos e as mais frequentes nos jovens. Na idade avançada, assim como existe o envelhecimento da pele, acontece com o coração, que é um fato para o surgimento de arritmia. 
Mania de Saúde – O que diferencia a arritmia benigna da maligna?
Dra. Mirelle Defanti –
Essa diferença não se dá pelos sintomas do paciente, vai depender do registro do eletro. Geralmente, as arritmias que levam ao desmaio têm a tendência de serem malignas, mas isso não é regra. Como eu disse, depende do registro do eletro e da arritmia, já que nem sempre você consegue o registro, porque o paciente começa a passar mal mas, quando chega ao hospital, a crise já passou. Por isso que demanda de uma série de estudos e exames, além do histórico familiar, para se definir melhor a doença.
Mania de Saúde – Após o diagnóstico, como é o tratamento?
Dra. Mirelle Defanti –
Primeiro a arritmia pode ser tão benigna a ponto de não demandar um tratamento. É só uma orientação quanto à benignidade. Em outros casos, o tratamento vai ser necessário porque gera incômodo, atrapalha a vida do paciente. Por mais que seja uma arritmia que não vá levar à morte ou a outras consequências, vai incomodar. Então existe o tratamento através de medicação. Tem aquelas mais graves, que podem precisar de um cateterismo por ablação. E, em último caso, existem aqueles pacientes em que a doença evolui ao ponto da necessidade de se usar um marca-passo. Então, a primeira opção é não fazer nada, a segunda é o tratamento com medicação, a terceira o cateterismo com ablação e a quarta opção, tipos de marca-passos. 

Texto produzido em: 22/02/2017