As temperaturas começaram a cair em nossa região desde meados de maio. E, depois de um dia de trabalho, nada parece mais relaxante do que um bom banho quente para aliviar as tensões. No entanto, a pele sofre com a água nessa temperatura. O ideal seria um banho morno, a fim de evitar problemas. 
Quem nos conta sobre os cuidados com a pele nesses meses mais frios é a médica dermatologista Dra. Roberta Cesário. Segundo ela, existem alguns tratamentos que são mais indicados de serem feitos no inverno. “No verão, a intensidade da radiação ultravioleta é maior, a exposição ao sol é mais frequente e isso limita alguns tratamentos, como o uso de ácidos para clareamento e peelings para rejuvenescimento. Então, a gente procura deixar para esta época do ano, porque além da intensidade da radiação ser menor, as pessoas se expõem menos ao sol. Este é o momento em que muitos querem corrigir os problemas causados pelo verão ou estão buscando alguns tratamentos injetáveis, que podem deixar hematomas ou equimoses, porém com maior facilidade de manter a região coberta. É importante lembrar que, mesmo nesta época mais fria, deve-se usar o protetor solar. Ainda que haja dias nublados, nossa pele está sujeita à radiação. Então, tem que se proteger, principalmente quem está fazendo algum tratamento”, orientou.
Dra. Roberta cita os principais problemas que se agravam nesta época do ano. “Quem tem psoríase, uma doença genética autoimune, sofre neste período, porque é uma doença que melhora muito com o sol. Ou seja: além do ressecamento se agravar nesta época, a pouca exposição ao sol contribui para a piora de quem tem psoríase. Também ocorre o agravamento das dermatites atópicas, que têm a ver com o clima, com o banho quente demorado, uso de perfume, a poeira etc. Além disso, pode haver piora na dermatite seborreica, associada ao excesso de oleosidade. Já o ressecamento da pele pode provocar prurido, e as pessoas, muitas vezes, se coçam sem estar com as mãos higienizadas, o que pode ocasionar uma lesão de pele. É preciso ter cuidado. Deve-se aumentar a ingestão de líquidos neste período e evitar banhos muito quentes e demorados, porque isso é nocivo para a pele”. 
Com relação à hidratação, Dra. Roberta fala sobre importância de o paciente recorrer ao profissional para saber qual produto é mais indicado para o seu tipo de pele. “Existem vários tipos de hidratante no mercado, mas quero ressaltar que não se deve usar o mesmo hidratante do corpo no rosto e vice-versa, porque a pele é diferente nestas áreas. O ideal é que sempre se procure o profissional. Para se ter uma ideia, são muito bons os hidratantes à base de ureia, de ácido hialurônico, mas o paciente de psoríase piora com o hidratante à base de ureia. O paciente de dermatite atópica não pode usar hidratante com perfume. Então, cada pessoa precisa ter uma indicação própria. A orientação profissional é, sempre, o melhor caminho”.

Texto produzido em: 12/05/2017