É comum encontrar a orientação “sal a gosto” em uma receita. No entanto, é preciso tomar cuidado com a quantidade adicionada em uma preparação, pois muitas vezes o “a gosto” ultrapassa o limite de cinco gramas recomendado pela Organização Mundial da Saúde para consumo diário. 
“Ao menos 2g desse valor está presente naturalmente nos alimentos. O restante é proveniente do sal adicionado à comida. O brasileiro, no entanto, consome cerca de 12g de sal por dia, que equivale a 2,5 vezes a mais do que o recomendado”, explica a nutricionista responsável pelo Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Márcia Gowdak.
O excesso de sódio, principal componente do sal de cozinha, pode aumentar os riscos de doenças cardiovasculares, como AVC (Acidente Vascular Cerebral) e hipertensão arterial. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais de 30 milhões de brasileiros possuem a pressão arterial elevada. Estudos da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Pesquisa de Orçamentos Familiares apontam que a maior parte do sódio consumido diariamente é proveniente do sal de cozinha, sendo que até um quarto deste sal é adicionado à comida durante o preparo.
“Para evitar o consumo exagerado, algumas dicas simples como retirar o saleiro da mesa e respeitar as indicações de uso podem ajudar. O importante é diminuir a quantidade usada aos poucos e deixar o paladar se acostumar”, explica a especialista.
Vale lembrar que um acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a indústria alimentícia já permitiu a retirada de 14.893 toneladas de sódio da comida industrializada entre 2011 e 2015. Mas a quantidade de brasileiros com hipertensão, doença associada ao alto consumo de sódio, presente no sal de sozinha, permanece alto.
De acordo com notícia vinculada no jornal O Globo, o acordo entre o governo e a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia) foi iniciado em 2011 e está em sua quarta etapa. A primeira teve como alvos macarrão instantâneo, pão de forma e bisnaguinha, com uma redução de 1.859 toneladas de sódio. A segunda envolveu bolos, salgadinhos, batatas fritas, maioneses e biscoitos, com menos 5.793 toneladas. A terceira abrangeu margarina, cereais, caldos e temperos e levou à redução de 7.241 toneladas. A quarta etapa envolve embutidos, como linguiças, presuntos e mortadelas, além de queijos e sopas, e terá seu resultado divulgado em 2017.
O objetivo é retirar 28.562 toneladas do mercado brasileiro até 2020. Segundo o Ministério da Saúde, a cada ano novas metas são traçadas para obter maiores reduções. O Ministério da Saúde também está conversando com a Abia para reduzir o nível de açúcar nos alimentos. Mas há algumas dificuldades para conseguir esses resultados. O sal, por exemplo, não é usado apenas para dar sabor, para também para preservar a alimento, em razão de suas propriedades antioxidantes.
Resta, portanto, o consumidor ficar atento aos rótulos dos produtos e, também, ao consumo dos alimentos em casa. Quanto mais informação (e cuidados), melhor.

Texto produzido em: 10/12/2016