Todo mundo já deve ter se perguntado por que a saúde pública no Brasil é tão problemática. A falta de vagas em UTI’s, as demoras nas marcações de consultas, exames e cirurgias, entre outros problemas, minam diariamente a confiança do brasileiro. Mas há uma luz no fim do túnel. Ela está na atenção básica. 
É por meio desse sistema que os profissionais de saúde conseguem auxiliar melhor a população na prevenção de doenças e na promoção de saúde. Ao mapear o comportamento de cada membro da comunidade, eles evitam o surgimento ou agravamento de problemas como a obesidade, diabetes, hipertensão, entre muitos outros que afligem a sociedade. Isso ajuda a diminuir as internações nos hospitais e, consequentemente, reduz os gastos no setor.
Não é por acaso que o curso de Medicina da Faculdade Redentor tem promovido a atenção básica entre seus alunos, como conta, ao Mania de Saúde, Dr. Paulo Cavalcante Apratto Junior, Coordenador da Atenção Básica da Redentor e responsável pela disciplina Saúde e Sociedade. “O Brasil está carente de prevenção e promoção de saúde. Isso está muito ligado à falta de informação. Um número enorme de pessoas não sabe como evitar doenças. 50% dos hipertensos, por exemplo, desconhece que têm hipertensão. Dos 50% que sabe, metade, ou grande parte, não faz o tratamento regular, porque não conhece os perigos da doença. Tendo como base a hipertensão, grande parte dos pacientes afastados do trabalho, se tivessem se tratado ou prevenido, não estaria no seguro-desemprego, nem nos hospitais. Ou seja: a atenção básica é capaz de mudar todo um contexto de saúde pública. Por isso ela tem sido a força motriz do nosso curso”, destaca Dr. Paulo.
Ele revela como o curso de Medicina da Redentor tem preparado os alunos dentro dessa visão. “O acadêmico chega até nós sem ter muita noção de como é a saúde. Quando entra nas casas das pessoas e vê a realidade crua, a verdade do Brasil, dos milhões de excluídos, ele se depara com uma outra vida. Isso, inicialmente, choca. É muita gente doente, sem direitos e sem dignidade. Mas, na medida em que o estudante vai conhecendo as famílias, fazendo as intervenções necessárias, ajudando no diagnóstico, encaminhando os pacientes para o posto de saúde, ele passa a entender as particularidades das pessoas e como os direitos mínimos delas não são atendidos. O aluno passa a compreender os determinantes sociais do adoecimento. No que isso resulta? Na humanização. Ele percebe os fatores que intervém na questão da doença. Quando o aluno começar a frequentar hospitais, vai ficar mais fácil, porque ele já conhece a vida da pessoa e vai se atentar para a história dela, se preocupar se o paciente pode comprar o remédio, se ele tem condições de completar o tratamento, quais são os hábitos de vida etc. Com isso, o foco não será somente a doença, mas a pessoa. A atenção básica no curso de medicina tem esse objetivo. Ela ajuda a prevenir as doenças ao mesmo tempo em que dá ao futuro médico um olhar muito mais amplo e humanizado da profissão”, finalizou.

Texto produzido em: 20/10/2016