Tiago Abravanel não precisa de óculos. O ator enxerga tudo perfeitamente. Mesmo assim, ele sempre surge na TV usando óculos, todos muito estilizados. Alguns sequer possuem lentes. “É para completar o visual”, costuma dizer ele, que não esconde sua paixão pelo objeto. 
O exemplo de Tiago cativa muitos jovens pelo Brasil. Se antigamente os óculos provocavam brincadeiras jocosas nas escolas (ainda não existia o termo bullying), hoje eles significam, para a garotada, uma forma de ser descolado e elegante. 
Por isso é comum encontrar adolescentes indo ao oftalmologista sonhando em usar óculos, sem saber, no entanto, que esse uso obedece a alguns critérios médicos. É lá que os jovens percebem que os óculos de grau só são receitados quando há indicação.
O Mania de Saúde ouviu a médica oftalmologista Dra. Júlia Pillar sobre o assunto. “Está na moda usar óculos. Muitos adolescentes vêm ao consultório pensando isso. Mas os óculos não são um acessório de moda, embora muitos vejam assim. Na verdade, eles são instrumentos que ajudam a corrigir a visão. Então, só indicamos os óculos de grau, com lentes corretivas, para quem realmente necessita e apresenta alguma alteração de grau”, afirma a médica. “Para os jovens que não precisam de óculos, eu acabo recomendando os modelos de sol, porque os de grau têm a sua indicação. É até perigoso, por exemplo, o adolescente pegar os óculos de grau do colega. Ao fazer isso, ele força o olho a enxergar de uma forma que ele não tem que enxergar. Aquele não é o grau dele. Isso gera um cansaço visual e pode ocasionar dor ocular, dor de cabeça, logo, não é aconselhado”, complementa Dra. Júlia, que é especialista em retina e vítreo. 
Se por um lado existem jovens querendo usar óculos de grau sem necessidade, também há muitos adolescentes (e sobretudo crianças) que precisam ir ao oftalmologista de forma regular, mas não vão. Dra. Júlia faz o alerta. “A própria Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica recomenda que a criança tenha uma consulta anual com o oftalmologista, mesmo que não haja alguma queixa. Porque essa fase da infância e da adolescência é aquela em que o corpo mais sofre mudanças. O sistema visual passa por alterações. Então, da mesma forma que os pais acompanham o crescimento, a estatura, o ganho de peso e de altura, é importante ir acompanhando o ganho de visão do filho também. Às vezes a criança ou o jovem apresenta dificuldade na escola e isso acontece por causa de um problema de visão não detectado. Muitas escolas até pedem avaliação oftalmológica devido a esse problema”, conta a médica. “Hoje também se estuda bastante o impacto das tecnologias digitais nas novas gerações. Isso porque, ao contrário de antigamente, quando as crianças brincavam de bola ou de pique, na atualidade elas estão grudadas no celular ou no tablet, sem estimular a visão de longe. Mas, quando precisam usá-la, ela não está tão desenvolvida. É um tema muito estudado hoje na oftalmologia”. 
Quanto aos adolescentes, segundo Dra. Júlia, os problemas mais comuns são a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, sendo que atualmente há uma grande preocupação ainda maior: o ceratocone. “É uma doença pouco conhecida, mas que gera uma grande alteração de grau repentinamente. Ela altera o formato da córnea e provoca um astigmatismo alto, uma miopia alta e tem que ser tratada porque, se não, pode levar à cegueira. Todos esses exemplos mostram o quanto é importante estar sempre investigando a saúde ocular da criança ou do adolescente”, finalizou a médica.

Texto produzido em: 20/07/2016